A manhã avançava devagar, trazendo um sol tímido pela janela da clínica. A tempestade tinha ido embora, deixando para trás aquele cheiro de terra molhada que sempre anunciava recomeços.
Camila estava sentada na cama, o bebê aconchegado em seu peito. Ele mamava devagar, com aquela tranquilidade de quem não sabia — e nem precisava saber — que o mundo quase desabou horas antes.
Ricardo estava ao lado, observando cada movimento, como se tentasse memorizar tudo: o som suave que ele fazia ao mamar, os olhos ainda semicerrados, a mãozinha minúscula que se fechava e abria, procurando o calor do mundo.
— Ele é tão pequeno… — murmurou Ricardo, tocando a bochecha do bebê com a ponta do dedo.
Um sorriso leve apareceu. — Mas já parece tão forte.
Camila olhou para ele com um carinho que misturava cansaço, paz e aquela sensação estranha de não acreditar que tudo aquilo estava realmente acontecendo.
— Acho que ele puxou a teimosia do pai. — ela disse, com um sorrisinho.
Ricardo riu, balançando a cabe