— CAMILA
O chalé estava quieto demais.
Camila acordou antes do sol nascer, sentindo o corpo leve e pesado ao mesmo tempo — leve porque tinha encontrado refúgio, pesado porque sabia que a tranquilidade tinha hora para acabar.
Passou a mão no ventre, sentindo o bebê se mexer suave, como se respondesse a algo que só ele entendia.
— Bom dia, meu amor… — sussurrou, com a voz embargada. — A mamãe prometeu que ia te proteger. E vai.
Quando se levantou, ouviu o rangido suave do assoalho.
Ricardo dormia no sofá, coberto por um cobertor que ela mesma tinha puxado durante a madrugada.
Ele parecia exausto. Quebrado. Mas havia um traço de paz repousando no rosto dele — paz que só ela conseguia dar.
Camila ficou ali observando-o, silenciosamente, sentindo-se dividida entre o medo e o desejo de ficar para sempre naquela cena.
Até que um arrepio percorreu sua nuca.
Não era barulho.
Não era movimento.
Era instinto.
Algo estava errado.
— RICARDO
Ricardo acordou com uma sensação estranha — como se o pró