O relógio marcava quatro e meia quando Dean atravessou o corredor de mármore. Cada passo, seco e ritmado, reverberava pela casa como se o próprio silêncio denunciasse o que estava prestes a acontecer.
A luz pálida da tarde filtrava-se pelas cortinas de linho, alongando sombras sobre o tapete. No entanto, nada abafava a sensação ardente que lhe queimava o peito: incredulidade, raiva, desamparo.Empurrou a porta do escritório.Leonor estava ali — impecável num robe de seda azul, pernas cruzadas, folheando uma revista de moda.
O brilho discreto das joias em seus dedos, o cabelo perfeitamente alinhado e o perfume doce demais para uma tarde fria. Não parecia uma mulher que dera à luz há cinco dias.
Não parecia, sequer, uma mãe. Dean permaneceu de pé, diante dela, respirando fundo para manter a voz sob controle.— Preciso dos papéis de nascimento da Roxy — disse, firme.
— Vou levá-los ao cartório, está mais do que na hora de registrar a nossa filha, Leonor