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## Capítulo 08: Promessas de Sangue

O dia do casamento amanheceu com o céu coberto por nuvens carregadas e um vento frio que soprava do norte. A capela privada da propriedade, construída em pedra rústica e com vitrais seculares, estava impecavelmente arrumada para a ocasião. Pouquíssimos convidados ocupavam os bancos de madeira escura, garantindo que o evento permanecesse estritamente restrito às duas famílias e aos homens de confiança do meu círculo mais íntimo.

Na primeira fileira, à esquerda do altar, meu pai permanecia imóvel na cadeira de rodas. As marcas do derrame que o retirou do comando da organização transpareciam no lado esquerdo do seu rosto e na rigidez do seu corpo, mas seu olhar continuava severo, atento a cada detalhe. Ao lado dele, minha mãe vestia um vestido sóbrio de veludo azul-marinho. Ela mantinha uma das mãos pousada delicadamente sobre o ombro do meu pai, ostentando uma postura serena, herdada de décadas vivendo na linha de frente do nosso mundo.

Permaneci parado ao lado do padre no altar, ajustando os punhos do meu terno sob medida preto. A tensão na capela era palpável, mas minha atenção estava totalmente voltada para as portas duplas de carvalho no fundo do corredor principal.

Quando a marcha nupcial começou a ressoar baixinho pelo recinto, as portas se abriram devagar. Lorenzo Marcone, caminhando com passos lentos e apoiado firmemente em sua bengala, conduzia Aurora pelo corredor.

A visão da minha noiva fez o silêncio na capela se aprofundar ainda mais. O vestido de noiva era de um cetim encorpado na cor branco-marfim, com um corte sereia impecável que moldava com precisão a estrutura do seu corpo. O decote ombro a ombro deixava à mostra a linha delicada do pescoço e dos ombros, enquanto as mangas compridas de renda fina cobriam seus braços até os punhos. O tecido justo marcava a cintura fina e o volume natural do quadril, estendendo-se em uma cauda discreta que deslizava pelo chão de pedra. Um véu leve de tule transparente cobria seu rosto, permitindo apenas adivinhar os reflexos dourados de seus olhos castanho-avelã e o tom rosa suave de seus lábios. Seu cabelo castanho-avermelhado estava preso em um coque clássico e baixo, enfeitado por uma pequena tiara de brilhantes.

Lorenzo parou a um passo do altar, pegou a mão de Aurora e a entregou a mim com um aceno solene de cabeça. A mão dela era pequena e levemente fria contra a minha. Conduzi-a até o degrau do altar, ficando frente a frente com ela.

O padre idoso, que servira à minha família por mais de quarenta anos, deu um passo à frente com o livro sagrado aberto entre as mãos. Ele olhou para nós dois, pigarreou e começou a cerimônia com voz pausada e grave, que ecoou pelas paredes de pedra:

— Estamos aqui reunidos na presença de Deus e destas testemunhas para unir em matrimônio este homem e esta mulher. O casamento é um laço sagrado, instituído para a mútua assistência, para a preservação da família e para a construção de um caminho compartilhado sob a fé e a lealdade.

O padre fez uma breve pausa, encarando-me nos olhos antes de prosseguir com o sermão tradicional:

— Dom Matteo Giordano e Aurora Valentina Marcone, vocês vêm aqui hoje de livre e espontânea vontade para se unirem pelo santo matrimônio?

— Sim — respondi, sem hesitar, mantendo a voz firme e ressonante.

— Sim — disse Aurora, a voz suave e melodiosa atravessando o tecido do véu com perfeita clareza.

— Prometem amar-se e respeitar-se, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, todos os dias de vossas vidas, até que a morte os separe?

— Prometo — declarei, olhando fixamente para a silhueta do seu rosto sob o tule.

— Prometo — ela repetiu, no mesmo tom sereno.

O padre abriu a pequena almofada de veludo trazida por um dos acólitos, revelando as duas alianças de ouro espesso.

— Abençoai, Senhor, estas alianças que agora abençoamos em Teu nome, para que estes Teus servos que as usarem permaneçam em Tua paz, vivam em Teu amor e cheguem juntos à velhice. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Peguei a aliança menor e segurei os dedos delicados da mão esquerda de Aurora. Levantei o véu devagar, revelando seu rosto intacto, as sardas sutis sobre o nariz e os olhos fixos nos meus. Deslizei o anel de ouro por seu anelar até o fim. Ela fez o mesmo em seguida, pegando a aliança maior com mãos firmes e encaixando-a no meu dedo.

— Pelo poder a mim investido e perante a Santa Igreja, eu vos declaro marido e mulher. O que Deus uniu, o homem não separe. Pode beijar a noiva.

Inclinei-me ligeiramente para a frente, segurando o rosto dela com uma das mãos, e pousei meus lábios sobre os dela em um toque firme e prolongado. O contato selou não apenas um sacramento, mas a posse e o início de uma nova fase que agora nos prendia definitivamente um ao outro.

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