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## Capítulo 07: O Peso das Madrugadas

O mês que antecedeu o casamento transformou-se em um teste de resistência física e mental. A rotina dos negócios da família parecia ter triplicado de volume, com reuniões intermináveis sobre os novos pontos de distribuição em Turim, checagens rigorosas de carga nas docas e o alinhamento da segurança na propriedade para o dia da cerimônia. No entanto, o verdadeiro trabalho começava quando o silêncio da noite tomava conta da minha suíte.

Se antes a insônia era um visitante esporádico, agora ela havia se instalado de vez. Dormir mais do que duas horas seguidas tornou-se impossível. A imagem de Aurora naquela sala de estar — com o vestido de cetim rosa destacando o contraste do cabelo castanho-avermelhado e as sardas no nariz — recusava-se a deixar meus pensamentos. As palavras diretas e ingênuas que ela havia dito sobre a própria inexperience ecoavam na minha mente toda vez que eu fechava os olhos.

Na terceira semana do mês, o cansaço acumulado finalmente me fez pegar no sono por volta das três da manhã. O sonho veio denso e vívido.

Eu estava de pé no meio do meu quarto, no escuro, assistindo Aurora caminhar na minha direção. Ela usava uma camisola fina e semitransparente, que desenhava cada curva do seu corpo curto e violão. Os seios grandes se destacavam sob o tecido leve, e o movimento suave do seu quadril enquanto se aproximava mantinha meu olhar totalmente preso a ela. No sonho, a timidez dela dava lugar a uma entrega calma. Ela subia na grande cama de casal, puxando-me pela gola da camisa até que meus braços envolvessem sua cintura fina e o calor da sua pele branca queimasse contra a minha. A sensação do corpo dela sob o meu, a textura macia das suas coxas e o som da sua voz melodiosa sussurrando meu nome no meio da escuridão pareciam reais demais para ser apenas uma projeção da mente.

Acordei em um pulo, com a respiração descontrolada e o peito subindo e descendo rápido. O suor frio cobria minha testa e a pele do meu pescoço. O quarto continuava em absoluto silêncio, imerso na penumbra da madrugada de Milão.

Sentei-me na borda da cama, passando a mão pelo rosto para tentar afastar o impacto do que acabara de viver. Meu corpo estava tenso, completamente desperto e carregado de uma frustração física que não dava para ignorar. A necessidade de tê-la, de ser o único a tocar aquele corpo intocado, havia atravessado o campo dos negócios e tomado conta de cada parte dos meus sentidos.

Levantei-me, caminhando até o banheiro espaçoso de mármore escuro. Sem acender as luzes fortes, apenas deixando a iluminação fraca do corredor entrar pela porta entreaberta, parei em frente ao espelho. O reflexo mostrava o maxilar travado e a tensão visível nos ombros largos.

Encostei as costas na parede fria de mármore e fechei os olhos. A imagem de Aurora na camisola do sonho voltou com força total. Lembrei da forma como os olhos dela castanho-avelã me encararam no sofá quando ela me contou sobre a própria virgindade, e a lembrança dos seus lábios desenhados em rosa fez meu sangue correr quente. Deslizei a mão para baixo, envolvendo meu membro rígido com firmeza, ditando um ritmo lento e pesado que acompanhava a minha respiração desregulada.

Cada movimento rápido da minha mão trazia de volta a sensação fantasma do corpo dela sob o meu, o perfume doce que emanava da sua pele e a ideia fixa de que, em poucos dias, ela estaria trancada comigo naquela mesma suíte, sem nenhum sonho ou fantasia intermediando. Aquelei o ritmo, soltando um arfar pesado no silêncio do banheiro à medida que o ápice se aproximava, até que a tensão acumulada naquelas semanas finalmente transbordou de vez, deixando meu corpo exausto encostado na parede fria.

Abri os olhos devagar, lavando as mãos e o rosto na pia com água gelada. O cansaço físico voltou com peso duplo, mas a mente continuava focada na mesma certeza. O tempo de espera estava acabando. O próximo passo não seria um sonho.

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