O dia do casamento amanheceu com o céu coberto por nuvens carregadas e um vento frio que soprava do norte. A capela privada da propriedade, construída em pedra rústica e com vitrais seculares, estava impecavelmente arrumada para a ocasião. Pouquíssimos convidados ocupavam os bancos de madeira escura, garantindo que o evento permanecesse estritamente restrito às duas famílias e aos homens de confiança do meu círculo mais íntimo.Na primeira fileira, à esquerda do altar, meu pai permanecia imóvel na cadeira de rodas. As marcas do derrame que o retirou do comando da organização transpareciam no lado esquerdo do seu rosto e na rigidez do seu corpo, mas seu olhar continuava severo, atento a cada detalhe. Ao lado dele, minha mãe vestia um vestido sóbrio de veludo azul-marinho. Ela mantinha uma das mãos pousada delicadamente sobre o ombro do meu pai, ostentando uma postura serena, herdada de décadas vivendo na linha de frente do nosso mundo.Permaneci parado ao lado do padre no altar, ajusta
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