Mundo ficciónIniciar sesiónEu Kendra, fui uma general condecorada que encontrou um fim brutal e traidor. No dia de meu casamento, fui queimada viva em uma fogueira cheia de corpos, traída pelo homem que amava e por minha amiga e prima. A dor da traição suplanta a dor física das chamas, enquanto eu observava meu noivo e minha prima em meio às chamas ardentes. No entanto, a morte que achei que era o fim para meu sofrimento. Me trouxe outra coisa. Após a escuridão, me vi misteriosamente transportada de volta no tempo, deitada em lençois de alta qualidade. Retornei a um período anterior ao despertar de meus poderes como espadachim, antes de conhecer meu amado traidor e antes de me tornar a general que liderou grandes guerras. Renascendo das cinzas como uma fênix. Eu agora carrego as cicatrizes da memória e um ardente desejo de vingança, pronta para reescrever toda a história desse fim trágico que teve minha família e todos aqueles que um dia conheci. E irei começar por um detalhe bem pequeno. Minha linda e doce prima que me fez acreditar que aquele príncipe me amava. Irei fazê-la pagar por tudo que fez, e viverei uma vida totalmente diferente para compensar aqueles que um dia matei com minha próprias mãos.
Leer másO dia começou com um ar de otimismo no Ducado de Renatus. A jovem Duquesa Kendra, após semanas de reclusão e recuperação de seu misterioso "mal-estar", finalmente concordara em um passeio à cidade. Para a Duquesa Elara, sua mãe, era um sinal de que a alegria e a vivacidade de sua filha estavam retornando. — Ela parece tão melhor hoje, meu bem — Elara comentou com o marido, o Duque Theron Renatus Cineres, enquanto observavam Kendra e sua criada, Tulipa, partirem na carruagem. — Ver Kendra voltando a ser a menina curiosa de antes aquece meu coração. Theron, um homem de semblante nobre e preocupado, mas de coração mole quando se tratava de sua única filha, sorriu, embora uma sombra de apreensão ainda pairasse em seus olhos. — Sim, minha querida. O incidente com o veneno... ainda me perturba. Mas vê-la tão determinada a se fortalecer é um alívio — ele não sabia que a determinação de Kendra ia muito além de fortalecer o corpo. Na cidade, a feira es
O pesadelo ainda se agarrava à minha mente, a sensação do sangue de Feryr em minhas mãos, os olhos dele me fitando pela última vez. Mas os sons vindos de fora da tenda eram reais, urgentes, e cortavam minha névoa de terror. Gritos de guerra, o clamor de metal, o cheiro inconfundível de fumaça e... algo mais. O grito dos Lobos Brancos, sim, mas também vozes que não eram deles. Meu coração disparou. Eu tinha uma ideia muito clara do que estava acontecendo. É o resgate. Meu pai. Ou talvez, Milton agindo mais cedo do que eu previ, usando o "desaparecimento" da jovem duquesa para provocar um confronto e incriminar os Lobos Brancos. Minha fuga da cidade deve ter sido notada mais rápido do que imaginei. Sem hesitar, me levantei, a fraqueza do corpo infantil superada pela adrenalina. O medo deu lugar à raiva fria e calculada de uma general. Rasguei a abertura da tenda e corri para fora, meus olhos varrendo o acampamento que agora estava em caos. Havia chamas em algumas t
Os dias que se seguiram ao meu desmaio foram um teste à minha capacidade de atuação e adaptação. A princípio, os Lobos Brancos me trataram com uma mistura de cautela e curiosidade. Eu era um enigma: uma menina perdida, aparentemente frágil, que havia surgido misteriosamente em seu território. Mas meu treinamento militar e minha familiaridade com a natureza selvagem me permitiram disfarçar a surpresa e o medo genuíno, mantendo a persona da menina assustada e perdida. Fenris, o chefe, observava-me com a astúcia de um predador experiente. Seus olhos pareciam perscrutar minha alma, e eu me esforçava para manter meu disfarce. O curandeiro Nael, por outro lado, era mais complacente, cuidando de mim com chás de ervas e pomadas para os arranhões que aleguei ter feito na minha fuga dos sequestradores pela floresta. Mas foi Feryr quem se tornou minha ponte para a tribo. Com seus olhos verdes curiosos e seu sorriso fácil, ele era a personificação da gentileza em
A escuridão foi profunda e completa por um tempo que eu não conseguia mensurar. Eu estou “desacordada”, flutuando em um limbo controlado, permitindo que os sons e cheiros da tribo penetrem meus sentidos aguçados. O cheiro de ervas, fumaça e terra úmida. Vozes baixas, passos cautelosos. Me preparo para o momento em que abrirei os olhos. A atuação tem que ser perfeita. Finalmente, com um gemido suave e um tremor cuidadosamente ensaiado, meus olhos se abrem lentamente. A luz é fraca, filtrada por uma abertura no topo da tenda onde estou. Peles cobrem o chão, e o ar é quente e denso. Me sento abruptamente, simulando um sobressalto, meus olhos arregalados de medo, varrendo o ambiente como um cervo acuado. —Onde... onde estou? -minha voz saiu em um sussurro fraco, carregada de um medo juvenil que é, em parte, fingido, em parte, muito real. Afinal, eu estou cercada por aqueles que, em outra vida, havia caçado e matado, mas também havia uma ansiedade crescente, pois seu futuro líder um su
O peso da espada de aço em minhas mãos era um lembrete constante da tarefa que tinha pela frente. Meus treinos com Sir Kael se intensificaram. Cada movimento era executado com a precisão de um coreógrafo, mas com a letalidade de um predador. O velho cavaleiro, outrora cético, agora me olhava com uma admiração silenciosa, percebendo que a recuperação da jovem duquesa era, na verdade, um despertar. Eu me sentia mais forte a cada dia, a memória muscular de General Kendra retornando, sobrepondo-se à fraqueza do meu corpo infantil.Mas força física não seria o suficiente. Eu precisava de aliados, e rápido. A data do ataque dos Lobos Brancos se aproximava, e minha intuição gritava que a situação era ainda mais urgente do que parecia. A única maneira de evitar a carnificina era interceptá-los, de alguma forma, antes que Milton pudesse usá-los como bode expiatório. E isso significava encontrá-los.A ideia era audaciosa, beirando a loucura para uma menina de quatorze anos.
Os dias que se seguiram à minha recuperação foram uma dança cuidadosa entre a menina que eu deveria ser e a guerreira que era. Tulipa, fiel à sua palavra, conversou com meus pais sobre meu desejo de fortalecer o corpo e a mente após o incidente do veneno.Para minha surpresa, ou talvez não, eles concordaram com uma facilidade tocante. A preocupação deles com minha saúde e segurança superava qualquer norma social que desaprovasse uma futura duquesa treinando combate. Meu pai até sugeriu que o treinamento poderia ser uma boa distração para minha mente, ainda abalada pela experiência.Minha rotina se transformou. As manhãs eram dedicadas aos estudos, e eu absorvia cada informação com a voracidade de uma faminta. Lia sobre a história das grandes casas nobres, suas alianças e rivalidades. Estudava as leis do reino, as rotas comerciais, as guarnições militares em cada ducado. Cada pedaço de informação era uma peça no meu tabuleiro de xadrez, e eu estava traçando cada movimento de Milton e s
Último capítulo