Théo Narrando
Eu estava dormindo profundamente, sentindo o peso do dia anterior ainda sobre os ombros, quando acordei com o vibrar insistente do meu telefone sobre a mesinha de cabeceira. Ava estava ao meu lado, ainda enrolada nos lençóis, respirando de maneira calma, o que só aumentava meu contraste com a irritação que senti ao ouvir o som do celular. Peguei o aparelho meio grogue e notei o prefixo de outro país piscando na tela. Franzi a testa.
— Quem seria a essa hora? — murmurei, mais para mim do que para ela.
Ava se mexeu, bocejando, sem nem abrir os olhos, e só resmungou algo incompreensível. Eu atendi com uma mão ainda apertando o travesseiro, e do outro lado ouvi uma voz que me deu arrepios instantâneos.
— Alô? — falei seco.
Do outro lado, a voz de Mayra soou firme, cheia daquela certeza irritante que sempre me tirou do sério. Minha primeira reação foi querer desligar na hora.
— Théo… escuta o que eu vou te mandar. — ela disse, com aquele tom que sabia exatamente como cutucar