Clarice Martins
— E quem é você para achar que pode me mandar para um lugar desses? — O homem era muito narizinho empinado.
Mostrei o distintivo e vi o casal se calar finalmente.
— Oh, minha nossa! Poderia nos desculpar? Agimos errado, pedimos desculpas! — O homem falou pelos dois, cutucando a mulher ao seu lado para agir como ele.
"Nossa! Como as atitudes e as palavras mudam quando o negócio fica mais sério."
Era a ironia de ser sempre julgado pela imagem e personalidade, quando o peso vinha do que você tem, é ou faz.
"Eles com certeza têm algo a perder se passarem pela polícia." Pelo modelo do carro, as roupas e o comportamento, pelo menos um deles devia ser da alta sociedade.
— Não sou fácil de esquecer rostos, ainda mais quando os conheci em uma situação como essa. — Foi quase uma ameaça.
— Não queríamos ofendê-la, senhora! — a mulher disse com rapidez.
"Senhora?"
Meu olho quase tremeu. O tom usado em "senhora" parecia um insulto, como se ela estivesse me chamando de vel