CONNOR
Quando a testa dela encosta na minha, eu entendo uma coisa simples e brutal:
isso é confiança. E confiança não se apressa.
O cheiro do café, da pele dela, da manhã invadindo o apartamento… tudo me puxa para um lugar que eu não quero estragar com palavras erradas.
Então eu fico quieto.
Respiro com ela.
Não beijo. Não seguro. Não avanço um centímetro além do que ela permitiu com o corpo. Um ano atrás, isso teria sido impossível. Eu confundia intensidade com prova de amor.
Hoje, eu sei melhor.
Ela se afasta primeiro. Pouco. O suficiente para me olhar.
— Você vai trabalhar? — pergunta.
A pergunta mais normal do mundo. E, ainda assim, parece um teste.
— Vou. — Assinto. — Mas só mais tarde.
— Eu também.
Silêncio.
— Connor — ela chama, de novo. — Se isso virar pesado demais… você promete não insistir?
Engulo seco.
— Prometo não te prender — respondo. — Mesmo que doa em mim.
Ela me estuda, tentando achar mentira.
Não acha.
— Fica pra almoçar — diz, quase casual.
Meu peito dá um tranco.