CONNOR
Quando vi o nome da Blanca no celular, achei que era engano.
Fiquei olhando a tela tempo demais, como se ela fosse desaparecer se eu não tocasse. Um ano inteiro sem contato direto. Nenhuma mensagem, nenhum parabéns automático, nenhuma tentativa de parecer maduro.
Só distância.
Podemos nos encontrar?
Quero te ver.
Simples. Sem emojis. Sem passado.
Aceitei antes de pensar. Erro clássico. Ou acerto tardio.
Ela escolheu o lugar. Um café pequeno, claro demais, sem cantos para se esconder. Blanca sempre foi assim: nada de fuga.
Ela chega pontual. Usa um vestido leve, o cabelo solto, o anel no dedo esquerdo quase um detalhe — mas impossível de ignorar.
— Connor — ela diz, com naturalidade desconcertante.
— Blanca.
Sentamos.
Ela me estuda por alguns segundos. Não como quem julga. Como quem confirma.
— Você parece menos perdido — ela comenta.
— Aprendi a fingir melhor.
Ela ri. Um riso curto.
— Não. — Inclina a cabeça. — Você aprendeu a parar de correr.
Engulo seco. Sempre certeira.
— Eu