Li Wei
No mesmo dia em que o jato de Siena cruzava os céus em direção ao Brasil, eu convoquei minha própria tempestade. Marquei um jantar na casa de meus pais, um evento raro que sinalizava a importância do que eu tinha a dizer. Minha irmã, Li Lin, estaria lá. Meus avós paternos, os patriarcas da família, também. Eu estava entrando na cova dos leões.
A atmosfera durante o jantar era tensa. Meus pais faziam perguntas sobre a série. Li Lin falava sobre os números de audiência. Meus avós comiam em um silêncio digno. Ninguém mencionava Siena, mas o nome dela pairava no ar, a ausência mais presente na sala.
Após o jantar, quando nos reunimos na sala de estar formal, eu sabia que era a hora. Eu não me sentei. Permaneci de pé, sentindo-me como um homem prestes a confessar um crime.
—Eu pedi esta reunião porque há assuntos importantes sobre minha vida que vocês precisam saber—, comecei, a voz firme, sem espaço para interrupções.
Meu pai cruzou os braços, a expressão severa. Minha mãe parecia