Siena Dal
O voo para São Paulo foi uma contagem regressiva para o impacto. Cada quilômetro percorrido me afastava da segurança do meu santuário em Xangai e me aproximava da tempestade que eu mesma havia criado. Não havia mais como esconder. Com quase cinco meses de uma gravidez de gêmeos, meu corpo já contava a história que meus lábios estavam prestes a confessar.
Escolhi o laboratório deles na USP não para conter a explosão, mas para estar em um território onde, por mais que gritassem, não poderiam fazer uma cena pública. Era uma escolha tática em uma guerra que eu sabia que seria puramente emocional.
Quando entrei, a surpresa e a alegria em seus rostos foram uma facada de culpa em meu coração.
—Siena!— minha mãe, a Dra. Amoretti, exclamou, sua alma ítalo-brasileira se iluminando. Ela me abraçou forte e depois me segurou pelos ombros, seu olhar percorrendo meu corpo. Sua expressão mudou, a alegria dando lugar a uma confusão perplexa. —*Figlia mia*, você está...
—Diferente—, completou