98. DE TERNINHO PRETO
PAOLA BACKER
Acordei no outro dia com o despertador gritando no meu ouvido. Eu o odiava, mas foi um presente da Mónica, queria muito poder joga-lo na parede.
Fiz minhas higienes pessoais e me cobri com o roupão.
Passei no quarto da Mel e a acordei para ir à escola.
Deixei debaixo do chuveiro, ou corria o risco de ela voltar a dormir.
— Mãe, deixa eu faltar hoje. Por favor. — Da porta do quarto dela fez uma cara de cachorro com os olhos piscantes.
Sacudi a cabeça em negação.
— Escola, querida. E não se atrase. — Tomei o café quente e puro em pé, olhando pela única janela minúscula de casa.
Deixei o leite e cereal que ela gostava em cima da mesa.
Fui para o quarto me preparar para o longo dia que vinha pela frente.
Vesti o costumeiro conjunto de terninho preto composto por uma calça alfaiataria, blusa branca simples, e por cima o blazer com linhas retas e perfeitas. Essas roupas não eram de marcas ou caras, só sabia procurar nos lugares certos, afinal, meu salário era bom, mas