99. "PARA O MAIS ALTO"
PAOLA BACKER
Os dias transcorreram normalmente sem grandes altera-ções, seguindo a mesma rotina. Estávamos agora no meio de novembro, Nova Yorque com clima frio e em plenas produções de natal.
Saí do meu carro, vestindo um casaco cinza, depois de es-taciona-lo na minha vaga no prédio da empresa. Quando entrei no saguão, guardei o casaco na bolsa, sorri de leve para as re-cepcionistas seguindo para o elevador.
Parando no quinto andar, pela parede de vidro vi que ha-via um homem diferente dentro da sala em que trabalho. Nem um dos meus dois colegas haviam chegado ainda.
Estranhei a presença. Poderia ser um novato perdido.
A passos largos caminhei até a porta e a abri.
Era um senhor magro de terno preto e óculos. Ao ouvir o som da porta, se virou. O olhar dele era intenso, parecia anali-sar cada centímetro do meu rosto.
Cheguei a me sentir constrangida.
— Pois não? — Iniciei.
Não havia risco algum de ataque, pois o ambiente era cheio de câmeras e seguranças. Mas seu olhar atacava