Eduardo sai da cabana correndo, o corpo ainda quente do que quase aconteceu, a mente em choque com o toque do telefone. O ar da noite parece mais pesado, como se estivesse cobrando dele tudo de uma vez.
Entra no carro, liga o motor com a mão tremendo e arranca pela estrada de terra.
Os faróis iluminam a poeira no ar, e o coração dele bate errado, fora do ritmo.
Rafael.
O filho dele.
O menino que nasceu pequeno demais, frágil demais, que convulsionou pela primeira vez aos onze meses.
Desde então, qualquer febre vira terror.
Ele acelera.
Quando chega ao posto de saúde, vê Bianca do lado de fora, sentada num banco de madeira, segurando um copinho de água nas duas mãos.
Ela está pálida.
Olhos inchados.
Parece menor, como se tivesse encolhido em si mesma.
Dona Miriam está ao lado, conversando com o médico.
Eduardo sente um aperto no peito. Ele pode não a amar, mas não suporta ver ela sofrer.
Ele sente o peso da responsabilidade e culpa.
Culpa do que ele quase fez.
Culpa do que ele queria f