Quando abriu a caixa, veio uma onda de lembranças tão rápida que ela quase perdeu o fôlego. Papeizinhos amassados. Canetas de cores diferentes. A caligrafia adolescente dele, a dela, rabiscos, setinhas, piadas internas.
“Hoje peguei manga do pé da dona Maria. Amanhã ela me mata.”
“O inspetor me pegou fugindo da aula. A Ari quase chorou. Não chora, Nana.”
“Ela briga com a mãe e diz que não vai voltar pra escola. Vou lá buscar ela.”
A cada bilhete ela via flashes — eles correndo pela rua de terr