Helena
Acordo com o peso do braço de Miguel sobre meu corpo. Está pesado demais, quente demais, invasivo demais. A respiração dele bate na minha nuca, úmida, possessiva, e por um segundo sinto que estou presa dentro de um corpo que não é o meu, dentro de uma casa que não é minha, dentro de uma vida que nunca deveria ter sido minha.
Abro os olhos devagar. O quarto está ainda meio escuro, a luz filtrada pelas cortinas projeta um tom acinzentado nas paredes. Por alguns segundos fico imóvel, tentan