Helena
A quinta-feira amanhece pesada, mas eu caminho pelo escritório tentando parecer leve. Meus passos ecoam nos corredores como se estivesse representando uma versão artificial de mim mesma. Miguel acredita no meu teatro, acredita que estou fragilizada, preocupada, grata pelo “cuidado” dele… e essa crença é a única coisa que me mantém segura.
Por dentro, porém, outra coisa pulsa. Algo vivo, quente, urgente.
E esse algo tem nome.
Entro na minha sala, fecho a porta devagar e seguro o celular por alguns segundos antes de criar coragem para enviar a mensagem. Ela é curta, simples, quase burocrática.
"Você está aqui?"
A resposta surge em menos de um minuto.
Só o nome dela na tela já faz meu coração bater mais fundo, mais rápido, como se quisesse romper minhas costelas para alcançá-la.
Com a maior naturalidade possível, levanto, saio da sala e sigo pelo corredor até a escada de incêndio. Minha mão treme um pouco ao empurrar a porta metálica.
Quando ela abre, lá está Desirée.
Encostada na