Helena
A quinta-feira amanhece pesada, mas eu caminho pelo escritório tentando parecer leve. Meus passos ecoam nos corredores como se estivesse representando uma versão artificial de mim mesma. Miguel acredita no meu teatro, acredita que estou fragilizada, preocupada, grata pelo “cuidado” dele… e essa crença é a única coisa que me mantém segura.
Por dentro, porém, outra coisa pulsa. Algo vivo, quente, urgente.
E esse algo tem nome.
Entro na minha sala, fecho a porta devagar e seguro o celular p