Desirée
Meu dia continua um turbilhão de emoções tão intensas que parece que meu corpo inteiro está funcionando no automático. Há uma parte de mim que se agarra com força ao entusiasmo do orfanato, talvez o único ponto de luz no meio desse caos, e outra parte que está completamente dilacerada. Uma metade que segue firme, visionária, e a outra que sangra devagar.
A dor da Helena desperta memórias que eu tentava manter trancadas há anos. Não é só o fim abrupto entre nós. É algo mais profundo, antigo, que toca exatamente o lugar onde guardo Joana — minha primeira perda, minha primeira queda. Com Joana, eu tinha uma história. Eu tinha cotidiano, rotinas, planos, datas. Ela sabia tudo sobre mim. E eu sobre ela. Nós existíamos juntas.
Com Helena… nós estávamos apenas começando, e ainda assim a dor tem a mesma profundidade de um luto real. É uma ferida que não faz sentido, e essa falta de lógica me deixa inquieta, quase irritada com o próprio coração.
Não acredito em vidas passadas. Nunca ac