A decisão não veio como um raio.
Veio como um ajuste fino.
Júlia percebeu isso ao acordar naquela manhã com o corpo tranquilo demais para quem estava prestes a escolher algo grande. Não havia nó no estômago, nem urgência para fugir. Havia clareza silenciosa, daquelas que não precisam convencer ninguém.
Daniel ainda dormia. Ela levantou-se devagar, foi até a cozinha e preparou café como quem ensaia uma conversa. Sentou-se à mesa e abriu o caderno, não para escrever, mas para reler. Encontrou anotações antigas, de quando o medo ainda guiava suas decisões. Frases interrompidas. Perguntas sem resposta. A Júlia de antes parecia distante, quase outra pessoa.
Quando Daniel apareceu, já vestido para sair, ela fechou o caderno.
— Bom dia — ele disse, atento ao olhar dela.
— Bom — respondeu. — Eu pensei bastante.
Ele parou. Sentou-se à frente dela. Não interrompeu.
— Eu sei que você precisa de uma resposta — Júlia continuou. — E eu não quero que ela venha como sacrifício disfarçado de amor.
Dan