05

Miranda permaneceu ali por um longo tempo, sentindo que as paredes a sufocavam após a partida dos dois. Havia algo que a submetia: a dor da traição. Suspirou fundo, incapaz de tirar da cabeça a imagem do marido com aquela mulher. Como ele podia ser tão frio com ela e tão amável com Beatrice?

Claro, ela fora o "primeiro amor" dele, e pelo visto continuava sendo.

Como se não bastasse, Elizabeth apareceu com papéis na mão.

— Posso deduzir que você já sabe — foi a primeira coisa que disse.

Miranda a observou. Elizabeth, lentamente, tirou um envelope branco da bolsa e o entregou.

— Sra. Radcliffe, o que é isso?

— É a prova cabal de que Edward é meu neto. Eu mesma me encarreguei de fazer os exames de DNA em um laboratório particular. Portanto, não ouse questionar. Em vez de se irritar, deveria tentar dar um filho ao Alec por todos os meios. Vocês tentaram o suficiente?

— Dar um filho a ele? A esta altura, não quero nem desejo dar um filho a esse idiota! Por que eu deveria? Ah, claro, agora sou "menos" porque foi a amante dele, e não eu, quem lhe deu um neto — acusou Miranda com o olhar.

— Não fale assim comigo. Isso aconteceu porque você foi estúpida; se tivesse se esforçado, meu filho não teria ido para os braços do...

— Primeiro amor? Certamente a senhora diria isso. Suponho que, embora eu seja legalmente a esposa, vocês me consideram a "outra".

— Alec assumirá o menino, dará seu sobrenome agora que não vai mais escondê-lo — continuou Elizabeth, mudando de assunto. — Te digo isso porque deve respeitar a decisão dele e apoiá-lo. Por enquanto, é melhor que o menino não saiba da sua relação com o Alec. Poderia confundi-lo.

— Já terminou?

Cada palavra era repulsiva. Antes que dissesse algo mais, sua própria mãe apareceu. Catherine vinha como uma fera; Miranda soube que a sogra a pusera a par de tudo.

— Miranda! Temos que conversar.

Elizabeth esquivou-se.

— Tenho que ir, vocês precisam conversar.

E desapareceu. Miranda encarou a mãe e rugiu. Não queria sermões, mas teria que suportar.

— Você perdeu o juízo? Elizabeth me contou o que você quer fazer. Se separar do Alec?! Nem pense nisso; dependemos desse casamento. Esse filho não significa nada.

— Não é nada?! É o filho dele! Mamãe, eu vou me divorciar sim.

Catherine a sacudiu pelos ombros.

— Recupere o juízo! Você ainda pode engravidar de novo.

— Não se trata de dar um filho ou não, mamãe — pronunciou com a voz embargada. — Ele me traiu. E você está sendo tão dura comigo.

— Por que me reclama? Devemos muito aos Radcliffe. Só estou sendo razoável. Você não é criança. Esqueça esse assunto de divórcio!

Miranda mordeu o lábio com tanta força que sentiu o gosto de sangue. Não queria continuar com Alec, mas se conseguisse se livrar dele, para onde iria? Depender de Alec era como ter grilhões. No entanto, a ideia de começar do zero não parecia tão ruim comparada a perder sua vida. Era isso ou afundar de vez.

Quanto à sua mãe, Catherine era tão egoísta; por que ela teria que pensar nela?

— Miranda, é tudo o que tenho a dizer. Não faça uma estupidez. O que custa aceitar o menino? Você o vê como uma ameaça?

As lágrimas deslizavam pelo rosto dela. O nó na garganta apertou.

— Mãe, você só se importa com o dinheiro.

— E você não? — rebateu. — Você não teria se casado com o Alec, um homem que nem se lembra de você. Por que o fez?

Ela ficou em silêncio.

— Viu só? — Catherine a apontou. — Nem sabe o que dizer. Bem, vou embora; não faça bobagem. Eu mesma te mato!

E partiu. Miranda apertou o envelope e o abriu segundos depois, confirmando que Edward era, de fato, filho de Alec. Estava tremendo. Quase correndo, subiu para o segundo andar e começou a fazer uma mala. Decidida a ir embora, colocou joias, dinheiro vivo e puxou a mala, sentindo que, embora impulsivo, não podia ficar mais ali.

Sua decisão desvaneceu quando, em seu caminho, Alec surgiu e, com força bruta, segurou seu pulso. Ela tremeu, sabendo que ele se oporia novamente.

— Você não vai a lugar nenhum; insiste em me contrariar. A imprensa está em cima de mim, não posso arriscar manchetes sensacionalistas — cuspiu Alec, perto de seu rosto, sem soltá-la.

— Me solta, Alec! Me solta agora!

O homem, exausto com o comportamento dela, acabou empurrando-a até fazê-la cair sobre a cama. Ela tentou levantar rápido, mas Alec, decidido a trancá-la, já havia saído do quarto.

— Não abram a porta até que eu ordene, sem exceção! — gritou ele lá fora.

Miranda, esmurrando a madeira, pôde ouvi-lo. Rendeu-se quando os músculos doeram e o cansaço a venceu. Arrastou-se para a cama e ficou em posição fetal. Todos apoiavam quem cometera o erro. Então... o que ela deveria fazer? Seu bebê, que morreu ao nascer, seu casamento, que teve momentos bons, agora era uma piada, um passado; e sua realidade: um sofrimento sem fim.

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