02

Alec terminou sozinho em seu escritório em casa, ignorando completamente as reclamações da esposa, que após um tempo cansou de bater na porta e pareceu ter ido embora.

Ele ligou para sua mãe, e Elizabeth atendeu com um tom calmo, enquanto ele transbordava frustração.

— Ela sabe. Miranda teve o atrevimento de contratar alguém para me seguir e tirar fotos.

— Ela sabe sobre a criança? — indagou Elizabeth, à espera.

— Não, mãe.

— Certo. Mas você vai contar logo, não vai?

— Sim, eu preciso.

— Eu te pediria para se divorciar agora mesmo da Miranda e se casar com a Beatrice, mas não podemos nos arriscar.

— Eu sei. A Miranda está tão irritada — declarou ele, levando o dedo à têmpora. — Estou farto dela. Ela nunca sorri, nunca faz nada direito, vive trancada no quarto e nem sequer cumpre seu papel como esposa.

Mesmo durante as queixas, ele se sentiu um pouco contraditório, como se não sentisse totalmente o que dizia. Pois, quanto mais falava, mais a imagem de Miranda surgia em sua mente; aparecia aquele sorriso que ele não lembrava de ter visto tão genuíno, contudo, parecia uma lembrança viva e nítida.

— Por que se queixa, Alec? Você tem se divertido. Se ela cumpre o papel de esposa ou não, deveria ser indiferente para você.

— Mãe...

— E, com certeza, ela vai me ligar agora que te viu com a Beatrice. Quer que eu diga algo por você? — soou maldosa.

— Não, mãe, não faça nada.

Houve um longo silêncio na linha.

— Ah, não? Você me conhece bem, sabe que sempre farei o melhor para você, Alec.

Após desligar, ele permaneceu com a raiva atravessando cada parte de seu corpo. Apoiou as mãos na mesa, tentando recuperar a respiração pesada.

E foi exatamente o que aconteceu. Miranda pensou rapidamente em sua sogra, arrumou-se para a ocasião em uma decisão impulsiva e confiou que a mãe de seu marido a ajudaria; aquela mesma mulher que, no passado, lhe estendeu a mão, garantindo um casamento que salvou sua família.

Se precisava de apoio, certamente o encontraria nela.

Quando chegou à mansão de Elizabeth, uma das empregadas aproximou-se para informar:

— A Sra. Radcliffe virá em alguns minutos.

E retirou-se, deixando novamente aquele silêncio incômodo. Miranda balançou a cabeça, atordoada. Logo, ouviu o som dos saltos aproximando-se, e diante dela impôs-se a figura impecavelmente vestida de Elizabeth.

Sua expressão séria característica estava lá.

— Miranda — cumprimentou com um tom que pretendia ser doce, mas que mal cobria um fastio visível. — Não achei que viria a esta hora. Tudo em ordem? Nota-se que algo está acontecendo.

Elizabeth a avaliou com os olhos semicerrados, sabendo o que ocorria, mas querendo ouvir da boca dela.

— Eu... lamento não avisar sobre a visita, mas o que tenho a dizer é urgente.

— Que tipo de urgência a trouxe aqui?

Desta vez, Miranda ergueu a cabeça e fez contato visual com aquele olhar que era idêntico ao de Alec. E que, de alguma forma, também conseguia submetê-la.

— Descobri que seu filho está sendo infiel. Contratei um investigador e tenho provas. Por essa razão, desejo terminar o...

No entanto, Miranda não conseguiu terminar a frase. Elizabeth, com um gesto rápido da mão e olhos que pareciam lâminas afiadas, a calou. De repente, a expressão de Elizabeth mudou; parecia marcada pela raiva, mas mantinha a pose de controle.

— Miranda, você tem consciência do que está dizendo? Não quero você falando mal do meu filho. Por outro lado, talvez exista uma razão para ele não ter sido fiel — deu de ombros. Ela voltava a ser fria, sua personalidade habitual.

Miranda pensou por um segundo que ela lhe daria razão. Como não aconteceu, ficou perplexa; aquela mulher o estava justificando.

— A senhora está do lado errado, Sra. Radcliffe — rugiu, com o olhar injetado de raiva.

— Apoiar meu filho nunca será o lado errado. Agora, por que você não dá um filho a ele? Talvez assim recupere a atenção dele.

Miranda estava furiosa. Levantou-se, aproximando-se perigosamente da sogra, e gritou, deixando sair tudo o que sentia.

— Por um momento esqueci o quão cruel a senhora pode ser! Sou uma ilusa por acreditar que estaria do meu lado. E não vou permitir que o Alec continue me enganando!

Elizabeth, que se mantivera sentada em aparente serenidade, não suportou mais. Levantou-se e desferiu um tapa fortíssimo, que fez o rosto de Miranda virar para o lado, sentindo o ardor da humilhação. O golpe brutal da sogra atingira fundo.

— Não se atreva a duvidar do meu filho — vociferou a sogra.

A jovem ainda estava impactada, com a mão no rosto, sentindo o pulso acelerado. As palavras cruéis doeram mais que o tapa.

— Sra. Radcliffe...

— Não levante a voz para mim, menina inútil. O casamento que você tem deve ser mantido; seu dever é calar a boca e baixar a cabeça, então pare de envergonhar meu filho com seus ciúmes ridículos.

Miranda não queria chorar, mas não conseguiu segurar. A dor latejante na bochecha e a humilhação empurraram as lágrimas; arrependia-se profundamente de ter buscado Elizabeth, que claramente sempre protegeria o filho.

Miranda limpou as lágrimas bruscamente e saiu dali pisando duro; estava destruída, com a dignidade no chão e a alma murcha.

Já Elizabeth permaneceu lá, enfurecida com a atitude de Miranda; ela, que sempre fora dura, não demonstrava flexibilidade. Era como se carregasse um chicote na língua.

Já em casa, com a noite caída, ela não tinha fome, mas obrigou-se a comer um pouco. Nem sequer chegou à cozinha quando parou bruscamente.

Seu marido havia chegado, mas não estava sozinho. Havia mais alguém: um pequeno menino de não mais que cinco anos, ao lado de Alec. A criança tinha o cabelo loiro bagunçado e enormes olhos azuis que lhe pareceram familiares.

Ela não queria se apressar em concluir nada, mas o parentesco daquele menino com o marido era inacreditável, ou era apenas uma coincidência cruel. Em todo caso, ficou petrificada, olhando para o menino desconhecido que era uma versão em miniatura de Alec.

— Q-quem é ele, Alec? — questionou, gaguejando.

— Miranda, este é meu filho, Edward — declarou ele, como se fosse uma notícia cotidiana, sem anestesia, como se não fosse algo que mudaria tudo.

A mulher parou de ouvir, ficou pálida como papel diante da presença da criança e da traição do marido, sentindo que aquilo era o ápice de toda a dor e humilhação que já sentia.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App