Miranda voltou ao quarto, lutando para respirar. E, como se não bastasse, a cobrança veio logo depois, quando ele retornou.
— Você percebe que ele poderia ter nos ouvido? É apenas uma criança, Miranda! De agora em diante, cuidado com o que diz.
— Você me culpa pelo seu erro? Que absurdo! Por que diabos você o trouxe para esta casa? — recriminou ela.
— Não te devo explicações. A casa é minha e eu quis trazê-lo; esse menino é minha prioridade, coloque isso na cabeça. Nem pense em encostar um dedo nele ou dar bronca. Se eu souber que fez algo contra ele, garanto que não vai querer conhecer minha ira — fez uma pausa. — Se não consegue agir com maturidade na frente dele, afaste-se.
Ela engoliu em seco com dificuldade. Miranda apertou os punhos, conteve-se a duras penas e saiu sentenciando que não dormiria com ele. Alec não a impediu. Mas naquela noite, a insônia tomou conta de ambos.
Ao acordar de manhã no quarto de hóspedes, Miranda sentiu-se desnorteada. O sono não fora reparador, deixando uma dor de cabeça latejante. Em uma tentativa de recuperar a compostura, tomou um banho rápido. Mesmo que ele se negasse ao divórcio, ela queria ao menos sair daquela casa.
Sua mão parou na maçaneta ao ouvir aquela vozinha novamente.
— Mamãe! Mamãe, vem comer com a gente!
Ela congelou. Ficou paralisada até ouvir os passos se afastarem. Ao sair no corredor, não viu ninguém, mas percebeu que a mãe do menino estava lá, em sua casa. Não podia acreditar no nível de crueldade do marido.
Quando chegou à sala de jantar, a cena a deixou sem fôlego: seu marido sentado na cabeceira, o menino ao lado e, junto a Edward, uma mulher de cabelos castanhos — a mesma da foto. Usava um vestido de seda e levava uma colher de cereal à boca de Edward com um carinho que parecia horrivelmente perfeito.
Quando a mulher notou Miranda, virou-se. Seus olhares se encontraram, mas ela agiu com total tranquilidade, esperando que Alec fizesse as apresentações.
— Miranda, que bom que chegou. Venha, te apresento a Beatrice. Ela é a mãe do Edward.
— A mãe do Edward? — sussurrou, incrédula. Ia retrucar, mas o olhar ameaçador de Alec a deteve. Foi o suficiente para não perder o controle ali mesmo.
Miranda nem pensava em sentar-se com eles e tomar café como se fossem amigas. Em vez disso, dirigiu-se ao marido.
— Falarei com vocês na sala. Temos muito o que conversar.
Miranda sentia o corpo rígido, mas não se deixou abater. Esperou os dois na sala.
— O que ela está fazendo aqui, Alec? — questionou com tom exigente. — Você é um imbecil, e você... não tem vergonha?
Beatrice olhou para ela, fingindo indignação.
— Miranda, não precisa falar assim, deixe de drama.
— Deixar de drama? Você tem que me respeitar porque eu sou a esposa! Pare de agir como se eu fosse a vilã e assuma seus erros de uma vez por todas!
— Erro? Vou pedir que não chame nosso filho de erro — atreveu-se a exigir a mulher. Miranda quis avançar, mas se conteve.
— Você, como se atreve a...
— Miranda — ele a interrompeu. — Edward é meu filho. O herdeiro de tudo, quem levará o sobrenome... você nem sequer voltou a engravidar. Agora me diga, quem você acha que é mais valioso para mim?
Os olhos de Miranda encheram-se de lágrimas. Aquela acusação a atingiu em cheio: ele a culpava por não ter concebido novamente após a morte do bebê. Era como se ele estivesse pisoteando seu luto.
Beatrice revirou os olhos como se assistisse a uma peça de teatro. Levantou-se com desdém.
— Eu paro por aqui. Tenho coisas a fazer. Foi um prazer te conhecer, Miranda — acrescentou, com a intenção de ferir ainda mais.
E lá foi Alec, levantando-se como um idiota atrás daquela mulher. Como um cão fiel.
— Eu te levo em casa.
— Alec, não é necessário. Acho que deveria ficar e conversar com sua esposa.
O gesto de Alec doeu também. Para ele, era mais importante levá-la do que ficar com a esposa e dar explicações. Miranda permaneceu imóvel, paralisada pela dor que se estendia por cada fibra de seu ser. Tinha que suportar a cena de ver o marido ir embora com aquela mulher, ambos agindo com uma intimidade descarada.