Ele soltou uma risada curta e amarga.
Agarrou meu queixo com força, seus dedos pressionando minha mandíbula.
— Dessa vez você não vai, não. — O tom era de desprezo. — Mas quero você aqui, bem quietinha, quando eu voltar. Entendeu? Nem pense em dar outro passo fora da linha. A babá ainda precisa voltar pra casa, lembra?
Ele soltou meu queixo com um empurrãozinho e eu permaneci quieta, engolindo o gosto do medo e do ódio. Ele pegou as chaves do carro e a carteira da mesa da entrada, sem nem olhar para trás.
— E fica esperta com a minha mãe. Ela vai ficar aqui.
E então, ele saiu. A porta da frente se fechou atrás dele com um baque final.
Eu não me mexi. Fiquei parada ali, esperando para ter certeza de que ele estava longe, que tinha realmente ido e quando a quietude invadiu o apartamento, foi surreal.
Minha sogra estava no quarto de hóspedes, provavelmente ouvindo tudo.
Esperei. Contei até cinquenta na minha cabeça, andei até a janela da sala e espreitei pela fresta da persiana. Nada,