Ele gostava de ver meu desespero.
— Fica tranquila. Só a coloquei em um apartamento mais confortável com cama decente e comida quente. Nada daquela porcaria de sítio.
Ele sabia.
Meu estômago virou. Era uma emboscada.
O Eduardo e os homens dele estavam indo direto para uma armadilha. Ele tinha descoberto a operação.
— Onde ela está? — insisti, tentando manter a voz estável, mas era impossível.
— Isso não importa agora. — Sua mão voou e agarrou meu queixo, forçando-me a olhá-lo nos olhos. — O que importa é que se você continuar sendo uma boa garota e se comportar direitinho na nossa viagem… eu solto a babá. Tudo pode acabar bem, Lorena. Eu te amo, você sabe disso. Só quero que a gente fique bem.
Ama.
A palavra, na boca dele, era a coisa mais nojenta que eu já ouvi.
Me contorci, tentando me soltar, e na confusão, a borda afiada do caco de vidro que eu ainda segurava cortou a ponta do meu dedo. Uma linha fina de sangue apareceu instantaneamente.
— Toma cuidado — ele disse, soltando m