As três horas mais longas da minha vida se arrastaram como se o tempo tivesse simplesmente parado.
Cada minuto era uma tortura e eu andava de um lado para o outro da sala, ou melhor, mancava, com a ajuda de uma muleta que eu já odiava, incapaz de me sentar e concentrar em qualquer coisa que não fosse o relógio.
Milena tentou me distrair, falando de Nicolas, de qualquer coisa. As palavras entravam por um ouvido e saíam pelo outro.
Meu mundo tinha se reduzido a um apartamento em algum lugar da cidade, a um sítio escuro no meio do nada, e ao ponteiro dos segundos que não andava.
Tudo estava decidido. Meia-noite, as coisas iriam acontecer e não tinha mais volta.
Raul entrou e saiu da sala, dando atualizações secas pelo rádio. Os homens estavam posicionados.
Dois no prédio em frente, com visão perfeita da porta da garagem e da entrada social.
Outros na van estacionada na rua de trás. Tudo discreto, disfarçados e prontos. O apartamento da Glayce era o centro nervoso, com ela lá dentro,