A imagem daquela janela iluminada parecia queimar um buraco na minha alma. Era só um ponto de luz no meio de tantos outros, mas era dela.
Lorena estava lá. Provavelmente assustada, contando os segundos, talvez deitada ao lado da Alana, ouvindo cada barulho do apartamento como uma sentença.
E eu estava aqui. Preso neste carro, numa rua escura, com uma perna que não obedecia e um plano que tinha acabado de desmoronar.
A frustração era um gosto de metal e cinzas na boca. A conversa com o Eduardo ainda ecoava. O cara era bom e meticuloso.
Mas a meticulosidade dele não ia salvar ela se o Thales a colocasse num carro e sumisse do mapa amanhã.
A raiva, então, começou a substituir a impotência.
Não era mais um calor explosivo, agora, era uma chama fria e estável, que queimava tudo por dentro.
Eu não podia ficar parado nem esperar por outro plano ou outra jogada de xadrez.
Olhei para a janela dela uma última vez, como se pudesse mandar uma mensagem pelo pensamento.
Espera. Só mais um pouco