Mesmo com metade do rosto escondido, eu reconheceria aquela linha do queixo, aquela boca, e principalmente, aqueles olhos azuis intensos em qualquer lugar do universo.
— Como… — a palavra morreu na minha garganta.
Eu não conseguia respirar.
Lorena sorriu, um sorriso trêmulo e lindo. Vi Milena piscar para mim rapidamente pelo vão antes de a porta se fechar completamente, nos deixando sozinhos.
O silêncio que se seguiu foi pesado, carregado de tantas coisas não ditas, medo e saudade.
Durou apenas dois segundos.
Ela se moveu primeiro, correu os poucos passos que nos separavam e se jogou em cima do meu colo, seus braços envolvendo meu pescoço com uma força desesperada.
Um som entre um soluço e um suspiro escapou dela.
Eu não pensei.
Meus braços se fecharam em volta dela, puxando-a ainda mais para perto, uma das minhas mãos subindo para segurar seu rosto. E então meus lábios encontraram os seus.
Foi um beijo de fome, alívio e uma saudade que doía. Era salgado pelas lágrimas que eu sent