(Visão Lorena)
Meu coração ainda batia num ritmo alucinante, como se tivesse saído do meu peito e ficado no quarto do hospital, naquela cadeira de rodas, grudado no dele.
Entrei no banheiro discreto do hospital, com minhas mãos trêmulas abrindo a mochila que a Glayce tinha me dado.
Tirei o boné abafado e o moletom enorme, sentindo o ar fresco do ar-condicionado na pele. Embaixo, eu estava com uma roupa normal, um jeans e uma blusa simples, a mesma que eu tinha usado para chegar ao shopping com Alana e a bruxa.
Dobrava as roupas do disfarce com cuidado, ainda sentindo o cheiro dele impregnado no tecido.
Foi uma loucura perfeita e arriscada arquitetada pela Milena e Glayce.
Sair do shopping sob o nariz da minha sogra, entrar num carro escuro com vidros fumês, percorrer dois quarteirões até o hospital, passar por uma entrada de serviço… tudo parecia um filme de espionagem.
Mas valeu cada segundo de pavor.
Coloquei outra camisa branca e uma calça folgada preta, outro boné azul e ócul