A mensagem anônima.
Aquele frio na espinha voltou com força total, misturado a uma onda de raiva pura.
— Foi você… — a frase saiu como um rosnado.
— Eu? Só tô passando um recado. O chefe achou que você estava relaxando demais. Achando que tava seguro. A morte do seu tiozinho te deu uma falsa sensação de paz, foi? — a voz era zombeteira, cruel. — Isso aí foi só um aperitivo, um susto. Mas da próxima vez… — ele fez uma pausa teatral. — Da próxima vez, a gente mira melhor. Na sua família, por exemplo. Na sua mãezinha, sua irmãzinha… ou naquela secretária gostosa que você anda olhando com tanto carinho.
O sangue pareceu parar de correr nas minhas veias e um gelo mortal se espalhou do meu peito para cada extremidade do meu corpo.
Eles sabiam da Lorena. Como caralhos eles sabiam da Lorena?
O terror que tomou conta de mim foi mais paralisante que qualquer dor na perna.
— Se tocar em um fio de cabelo delas… — comecei, mas a voz falhou, consumida por uma mistura de pavor e fúria impotente.