O ar dentro do carro parecia ter virado água gelada. Eu engasgava, tentando respirar. Olhei para os papéis do divórcio, agora uma piada cruel no banco do passageiro.
Olhei para o cartório, o símbolo da liberdade que tinha acabado de virar uma miragem.
E agora?
Meu primeiro instinto foi ligar para Rafael. Mas as palavras do Thales ecoaram…
"Tenho gente de olho em você. Eu vou saber."
Se eu fosse até ele, se eu mandasse uma mensagem… o que ele faria com a Joyce?
O segundo instinto foi ligar para o Eduardo. Ele saberia o que fazer, mas a mesma ameaça…
"Se você contar… quem vai pagar é a babá."
Com certeza ele tinha gente na delegacia…
Estava encurralada. Completamente sozinha e encurralada.
Um soluço seco escapou da minha garganta.
Eu tinha que me recompor e agir normalmente. Como se meu mundo não tivesse acabado de desmoronar em cima de mim, esmagando qualquer lampejo de felicidade e esperança que eu tinha conquistado.
Com movimentos mecânicos, liguei o carro e enxuguei as lágrimas c