O celular vibrou sobre a penteadeira com um som seco, curto, quase ansioso. Eu ainda estava de costas para o espelho, os dedos apoiados na madeira fria, quando li a mensagem que eu mesma tinha enviado minutos antes.
Camila: Meu pai deixou eu ir.
O visto azul apareceu rápido demais.
Amanda: O QUÊ???
Amanda: COMO você convenceu a fera???
Soltei uma expiração lenta pelo nariz, os ombros cedendo um pouco, como se o corpo finalmente admitisse o cansaço acumulado do dia anterior.
Camila: É complicado… depois eu explico.
Parei um segundo, olhando meu próprio reflexo.
Camila: Você pode vir aqui me ajudar a me arrumar?
A resposta veio acompanhada de um áudio curto, rindo.
Amanda: Já estou saindo. Isso merece testemunha.
Menos de uma hora depois, a porta do meu quarto se abriu sem cerimônia. Amanda entrou com o mesmo ímpeto de sempre, jogando a bolsa na poltrona, os olhos percorrendo o ambiente como se procurassem provas do impossível.
— Eu ainda não acredito — disse, abr