Na manhã seguinte, a luz do sol atravessava as cortinas do meu quarto de forma clara, espalhando reflexos dourados pelo piso de madeira polida e iluminando suavemente os móveis alinhados com precisão impecável. A cidade ainda estava adormecida; do lado de fora, o trânsito começava a se movimentar lentamente, mas o ar ainda carregava o silêncio quase sagrado da madrugada que se recusava a ceder por completo. O céu pintava tons de laranja e rosa, mesclando cores quentes e suaves que contrastavam com o peso sombrio que ainda pairava em meus pensamentos após o dia anterior. O ar fresco da manhã invadia o quarto, mexendo levemente as cortinas e trazendo consigo o cheiro de flores dos jardins próximos, mas nada conseguia dissipar a ansiedade que apertava meu peito.
A casa estava silenciosa, mas não mais opressiva; os corredores pareciam menos frios, as paredes mais distantes, e cada detalhe cotidiano agora tinha uma leveza que antes passava despercebida. No entanto, a preocupação permaneci