Meses depois
Meses se passaram, quase sem que eu percebesse. O tempo deixou de ser algo que eu contava em dias ou semanas e passou a ser medido em voltas na pista, em marcas no cronômetro, em pequenos avanços que só quem estava ali todos os dias conseguia notar. O kart deixou de ser apenas um escape. Virou rotina. Virou hábito. Virou parte de mim.
Os treinos ficaram mais frequentes. As manhãs começaram a ter cheiro de combustível e borracha queimada. Meu corpo aprendeu a reagir antes mesmo que minha mente desse ordens conscientes. As mãos firmes no volante, o pé sabendo exatamente o quanto pressionar, o momento certo de frear, de acelerar, de arriscar um pouco mais sem perder o controle. Eu errava menos. Pensava menos. E confiava mais.
Naquela tarde, o céu estava aberto, claro, e o calor fazia o asfalto vibrar. O barulho dos motores era constante, quase hipnótico. Eu alinhei no grid sem grandes expectativas. Era mais uma corrida. Mais uma tentativa. Ainda assim, algo em mim estav