α

— Como não posso voltar a treinar, auxiliarei com a lenha e pedirei a U Ava para ajudar com nossa refeição.

— Sayama Ava, filho meu — corrigiu Ranna.

— Não entendo a diferença, mãe. Não é por mal, eu juro!

— U é informal e não reflete quem ela é. Como mulher e autoridade, use Sayama. Com nosso grão-mestre, use o Sayadaw. Com Saya Elil Gyi, o Saya reflete sua importância como mestre e o Gyi reflete respeito.

— Sim, mas se somos familiares, não preciso de formas complexas de tratamento. Somos iguais, com as mesmas capacidades e potencial. A diferenciação deve ter sido fator determinante para os problemas da humanidade, continuar com isso é, obviamente, sinônimo de retrocesso.

— Só o será quando nos perdermos, deixando algo simples, comandar nossa vida, tornando-se objeto de desejo. Preservar a cultura é importante durante a evolução, pois, significa suceder na conciliação das necessidades como ser espiritual e material. É difícil, mas essas nomenclaturas foram criadas junto às regras para manutenir a ordem — instruiu Ranna.

— Por que manutenir a ordem, se buscamos unidade com a existência e essa compreende ordem em meio ao caos e selvageria da vida? Outra medida de ordem dificulta, confunde e nos afasta da evolução. Causa uma diferenciação que, a longo prazo, nos impossibilitará de olharmos ao próximo como um igual. No fim, nos mataremos por uma ignorância plantada e alimentada por nós! — exclamou, franzindo o cenho.

— Não, filho meu. Nós, vila e monastério, somos uma sociedade. Pensando na busca pela unidade com o todo, temos um eterno caminho a percorrer. Novas crianças vêm e darão seus primeiros passos para atingir maturidade física e mental. Após isso, iniciarão a ascensão nos degraus da espiritualidade. A ordem superior que foge de nosso controle pode reger a vida de um único indivíduo, contanto que esse não conviva com outros pensantes. Quando o conceito de sociedade instaurou-se, ser dono de si, tornou-se o maior objetivo. Não é condenável. O indivíduo que o possuir, viverá dilemas e construirá seu caráter com base neste intento. Se seguir corretamente, conseguirá mais do que almeja; senão dor e castigo virão, afinal não se desvirtua sem ferir ninguém. — Sorriu Ranna.

Em casa, Sigmund seguiu com Ranna ao quarto e ela deu continuidade ao seu discurso — pouco motivador para ele:

— Viver em sociedade não anula a individualidade e dada essa, existem dificuldades. Uma medida de ordem criada pela comunidade é um meio saudável de lidar com diferenças, possibilita dialogar, mesmo que o momento propicie hostilizar. Pode-se podar as raízes da ignorância aplicando nossa cultura em nosso estilo de vida, contanto que sejamos responsáveis uns com os outros, como um organismo vivo. Aqui, cada um com seu dever, compromete-se com a presente e as futuras gerações.

— Entendo — disse, discordando em silêncio e limitando-se a assentir para não iniciar uma discussão que o deixaria irascível. — Volto logo, vou até U- Saya Ava. — Sigmund a cumprimentou após deitá-la. — Precisa descansar! Não quero senti-la morrendo enquanto estiver fora.

— Sayama Ava, pequeno — Ranna corrigiu, rindo.

Sigmund foi ao pagode, onde a lenha, cortada pelos aprendizes mais velhos, era guardada. Alguns dos meninos, dispensados mais cedo do treinamento, brincavam no interior.

Sigmund os ignorou, carregou lenha suficiente para metade da noite, deixando-as na porta de casa. Voltando, ouviu ao longe, a voz de Ava:

— Maung Sigmund, está trabalhando duro! Louvados sejam os Nats que lhe deram saúde. — Ela felicitou.

Ava era uma mulher adulta. Seus longos fios negros foram substituídos por madeixas brancas há algum tempo. Ela tinha a pele agraciada com o mais belo tom e o mais belo bronzeado de Aakash. Seus olhos eram castanhos, vívidos, sempre cheios de felicidade.

O conhecimento botânico a tornava responsável pela saúde de todos. Era como uma mãe e sua personalidade distinta dos monges, fazia com que todos esquecessem o fato de também ser uma ascética theravada.

— Oi! — cumprimentou o menino. — Como a senhora está?

— Estou bem, minha criança. — Ela sorriu. — Feliz em vê-lo trabalhando, mas não é cedo para este exercício?

— Não é um exercício. Minha mãe descansa porque mandei, logo estou ajudando com a lenha. Pode ajudar? Não consigo cozinhar ainda.

— Ajudo. Usarei dos sabores suaves para agradar seu paladar.

— Obrigado, Sayama Ava. Deixarei a lenha em casa e vou ajudá-la.

— Não precisa, maung. Deixe a lenha e vá banhar-se.

— Obrigado! — Ele a cumprimentou, voltando para casa.

Sigmund entrou, furtivamente. Olhou e Ranna parecia adormecida. Ele deixou a porta aberta, carregou a lenha para dentro e foi ao banho.

Ranna, desperta pelo barulho, foi ao banheiro, o chamando.

— Sim, mãe. Estou ao banho!

— Precisa de ajuda com algo?

— Não, mãe. Não esquentei a água, mas não está tão gelada. Se quiser, preparo seu banho. Trouxe a lenha.

— Agradeço, mas preciso de um banho cerimonial. Com a interrupção e sua intervenção, é ideal receber ajuda no templo.

— Se quiser, posso ajudar. Observo sua saúde e trato…

— Considerar isto não é sábio! Dada sua idade e inexperiência.

— Até quando minha idade será um problema!? — reclamou, deixando o banho e vestindo-se ainda molhado.

— Não deve se vestir molhado, adoecerá — repreendeu.

— Não adoecerei.

Sigmund concentrou-se, aquecendo ao seu redor para secar-se.

— Trinta anos de vida e estou surpresa! — Observou, rindo de si.

— A senhora não comerá a comida que U Ava trará? — Sigmund entristeceu-se, afinal sabia a resposta.

— Se eu retornar, comerei. Se não, terei a refeição no monastério. Pedirei que o comuniquem. Não se preocupe! — respondeu, relevando o erro com o pronome de tratamento.

Sigmund foi para a frente da casa, onde se sentou próximo à porta, mantendo-a aberta. Dali, observou a vila e suas dez casas, levantadas com tijolos vermelhos e estuque, orbitando o grande pagode ao centro.

Alguns meninos ainda brincavam no interior do pagode.

O anoitecer era belo. Muitas estrelas manchavam o céu. Mesmo o mais alto e forte humano sentir-se-ia inferior mediante tamanha expressão de vastidão. Haviam doze estupas — mausoléus hindus — construídas sobre os ancestrais das famílias ao redor da vila. Dali, Sigmund podia ver algumas recebendo o brilho da lua, emanando ainda mais tranquilidade.

O menino refletiu sobre Ranna, os monges, os meninos. “Por que só minha mãe precisa morrer?”, questionava-se, “É fácil correr frivolamente por aí, quando não precisa lidar com a morte de sua mãe.”, pensou, maldizendo todos, monges ou aldeões, em seu íntimo.

— O pequeno medita… — A voz de Ava o despertou de seus pensamentos. — Parece mais calmo, fico feliz. — Sorriu, aproximando-se com dois embrulhos em mãos. — Trouxe as refeições.

— Obrigado, U Ava! — Sigmund a cumprimentou com uma flexão. — Daw Ranna Gyi banha-se cerimonialmente. Irá ao monastério.

— Soube da interrupção. Isso é perigoso e pode ser letal, Maung Sigmund. Fico feliz que ela está bem. Tome cuidado, tudo bem!?

Sigmund assentiu, sem vontade de iniciar uma conversa amarga. “Se fosse sua mãe… se sentisse o que senti, jamais me diria isso!”, pensou.

— Como estão os olhos mais lindos que vi nascer?

— Preocupado, mas sobrevivo — respondeu, pegando os embrulhos e a cumprimentando. — Já sei o que dirá quanto a minha preocupação, então, nem tente, Sayama Ava.

Ava sorriu e o beijou na testa.

— Que os Nats lhe tragam sabedoria e afaguem seu coração, criança! Que se torne tão forte quanto Mi Ranna Gyi! Uma boa noite, maung!

Ava o deixou.

Sigmund a observou ir. Teve sua atenção tomada pelo som de porcelana quebrando. Enquanto sua preocupação o inundava com pensamentos de tragédias exageradas, ele correu. No quarto, encontrou Ranna ajoelhada, recolhendo pedaços de uma xícara.

— Mãe, tudo bem? Machucou? — perguntou, apressado, pondo os embrulhos sobre a mesa da sala e voltando ao quarto.

— Calma, foi apenas uma xícara. Sou mais forte que isso! — Ranna riu. — Vejo que Sayama Ava trouxe a refeição.

— Eu… recolho, mãe. Precisa ir ao monastério — disse, não acreditando preferir enviá-la ao monastério a arriscar vê-la se cortando.

— Obrigada, filho meu. Cuidado! — Ela pediu, deixando os pedaços já recolhidos sobre o pires na cama.

Sigmund limpou tudo e sentou na sala para comer, em silêncio, ouvindo os sons da natureza que, à noite, era mais vívida e intensa.

Ao fim da refeição, lavou tudo, envolveu a louça limpa num pano e levou à casa de Ava, deixando o embrulho ao lado da porta, sobre uma estrutura de pedra que emulava uma mesa.

Voltando para casa, ele aguardou o retorno de Ranna, quieto.

Era madrugada alta quando alguém bateu à porta. Ele apressou-se e ao atender, Jagravh mostrou-se dono das batidas.

— Maung Sigmund — cumprimentou Jagravh — Ranna Gyi ficará conosco monastério. Se quiser, pode vir comigo e o guiarei até ela.

— Não quero! — respondeu, instantaneamente — Boa noite!

Sigmund fechou a porta e sentou no lado de fora, recostado.

— Ficará ao relento? Apesar dos exercícios com o chi lhe conferirem um corpo maduro, ainda tem três anos de vida e não deve desafiar a natureza e sua capacidade de atingi-lo.

— Meditarei — disse, em posição de lótus — Assim U Ketu saberá facilmente o que estou fazendo.

Jagravh o cumprimentou e partiu, sem respondê-lo.

Sigmund fechou os olhos, concentrando-se em Ranna. Seus instintos gritavam que algo estava errado, que deveria guardá-la.

“Kublai é o próximo passo.”, ouviu, ocasionalmente, Ranna repetindo em seus pensamentos mais rasos.

***

Quando o nascer do sol espalhou pelo céu um tom púrpuro, Sigmund entrou, pegou uma fruta e a refeição de Ranna. Enquanto comia a fruta, rumou a casa de Ava. Ela estava desperta, recolhendo a louça sobre a improvisada mesa. Vendo-o chegar, ela o cumprimentou, sorrindo:

— Bom dia, maung. Espero que tenha tido uma boa noite!

— Bom dia! Trouxe a refeição de Ranna. Ela ficou no monastério.

— Entendo. Como foi a primeira noite, só, em casa? — perguntou, pegando o embrulho do menino.

— Não fiquei em casa, mas foi bom. Silencioso. Pode me ajudar?

— Se puder, claro que ajudarei.

— O que é Kublai?

— Kublai… — repetiu Ava, suspirando. — Onde ouviu?

— Meditei à noite e ouvi Ranna falar.

— O mitridatismo está conosco há um tempo. Diferentes formas de prática e autoaprimoramento foram desenvolvidas. Mi Ranna Gyi, apesar de jovem, tem um dom inato. Seu chi adapta-se como água, permitindo-a fluência. Como no lethwei, também há graus no mitridatismo. O Kublai é um desses, antecedendo o mais alto grau da arte — explicou Ava.

— Isso significa que será mais perigoso para ela?

— Significa maior intensidade? Sim. Maior perigo? Não. — Sorriu, beijando-o na testa. — Não se preocupe, ela é mais forte do que crê.

— Nada chamado Kublai deve ser bom! — O menino resmungou. — Vou vê-la. Com sua licença, Sayama Ava.

Sigmund a cumprimentou e rumou ao monastério.

Muitos monges transitavam pela escadaria. Evitando a fadiga, ele seguiu pela trilha masculina, acompanhando o passo dos monges.

“Desnecessariamente lentos!”, pensava.

No monastério, Ranna estava reunida com Jagravh e outros monges. Eles a parabenizavam. Sigmund, superprotetor, apressou-se.

— O que é Kublai, mãe? A senhora fará isto? — perguntou, olhando-a, ignorando a presença dos outros.

— Cumprimente a todos e depois pergunte. — Ela disciplinou.

Sigmund cumprimentou a todos e tornou a perguntar:

— O que é Kublai, mãe? A senhora fará isto?

— Não teremos esta conversa — disse, com doçura, apesar de a sentença exalar rispidez — Esse é meu dever. Seja paciente, amadureça e quando crescer, talvez conversemos sobre minhas decisões.

Sigmund silenciou e rumou ao pagode. Chegando, sentou no centro. “Gosto deste lugar vazio e quieto!”, pensou, sorrindo sutilmente, tentando não pensar na tristeza que a fala de Ranna instaurou.

Quando o céu azul finalmente anunciou o dia e os primeiros raios de sol banharam o interior do pagode, Jagravh chegou.

— Maung Sigmund, bom dia! Que seja um dia de treinamento rico!

Sigmund retribuiu o cumprimento com uma flexão. Logo, os meninos começaram a chegar e Jagravh cumprimentou um a um. Às cinco, os dez meninos da vila, entre três e sete anos, estavam reunidos.

— Minha mãe morrerá de novo? — arguiu, assumindo seu lugar.

— Ranna Gyi não morrerá. Lidará com seu dever no monastério, a partir de hoje. Agora que estamos prontos, conhecem suas nove armas, correto? — pausou Jagravh, aguardando a concordância de todos.

Os meninos concordaram e ele continuou:

— Todos entendem os princípios do chi, a energia que tudo move. — Jagravh novamente pausou e voltou a falar após o consentimento. — Hoje, aprofundaremos nosso autoconhecimento e usaremos do chi para isso. Precisam assumir uma posição confortável para meditação.

Todos se sentaram em posição de lótus, como lhes foi ensinado.

— Concentrem-se em si. Estudem-se. Respirem devagar… Sintam o fluir do sangue… Seu coração bater… Esvaziem suas mentes… Sintam a si e ao mundo ao seu redor… Pensamentos são desnecessários… Palavras são desnecessárias… Apenas você em seu íntimo… — Jagravh fez breves pausas, respirando devagar e caminhou ao sino, usado para meditações.

Após dez minutos de silêncio, Jagravh tocou o sino. O som ecoou pela construção com a acústica dos grandes anfiteatros.

Sigmund arrepiou ao sentir o som passear por seu corpo; felizmente, a facilidade do exercício o permitiu não se atrapalhar com a atípica reação.

A cada vinte minutos, Jagravh tocou o sino. O estridente som cumpriu seu papel de aprofundá-los mais a cada badalar.

A tranquila meditação foi interrompida, quando uma fisgada, intensa, atingiu Sigmund; espalhando-se por sua cabeça, como uma serpente.

Tarendra, o mais próximo, um rapaz de cinco anos, despertou pelo grito de Sigmund e correu em sua direção para estendê-lo ajuda.

O chi de Sigmund expandiu, escapando de seu controle, num surto de raiva, dor e tristeza. Sua consciência oscilou, deixando-o tonto.

Vendo Tarendra aproximando-se, Sigmund investiu um soco contra ele para mantê-lo longe. Jagravh amparou sua queda e aproximou-se.

— Maung Sigmund! Está bem? O que sente? — chamou o mestre.

Sigmund não pôde responder.

O desprender da alma de Ranna foi tão intenso que gradualmente tomou seus sentidos. Escuridão e silêncio o abraçaram enquanto ele sentia a mutilação.

Perder um pedaço de si e nada poder fazer o levou aos gritos e lágrimas; era dor física e emocional, dor da impotência e frustração. Dor.

Jagravh continuou o chamando, em vão.

A voz de Jagravh distanciou-se e a falta de sentidos tomou Sigmund.

Enquanto seu corpo permanecia animado pelos impulsos da dor, viu-se na escuridão, onde somente dor, tristeza e raiva o acompanhavam.

Ranna continuou afastando-se até ele senti-la como um vento calmo que antecede castigantes tempestades.

“Maung Sigmund.”, chamou Ketu, no íntimo do menino.

“U Ketu? Jagravh grita ao longe… O que há?”, arguiu, confuso.

“Precisa conter-se, criança. Seu corpo é jovem e incapaz de lidar com suas capacidades.”, disse Ketu, evitando explicações.

“Está tudo escuro, U Ketu”, narrou, sentindo-se imerso, como se estivesse no abismo marítimo, “Dói!”

“Não o deixarei perder-se, precisa se concentrar. Para retomar a consciência, basta querer com bastante força!”

“Isto é o que acontece com a minha mãe? Estou morrendo?”

“Não. Esta não é a morte tampouco a experiência desprendida de Mi Ranna. Você está dentro de si, onde sua alma estrutura-se. Não é perigoso ir, mas não deve ficar.”, respondeu Ketu.

“Não deveria vir, U Ketu!”, reclamou o menino, descontente, entendendo o contato de Ketu como uma invasão.

“Retorne! Quanto mais ficar, mais oportunidade dá para outros aspectos de si, assumirem a consciência, e isso é difícil de reparar.”

O contato de Ketu cessou.

Sigmund, com muita dificuldade, concentrou-se, a dor era intensa e o ar faltava como se estivesse se afogando.

Quando finalmente acordou, ele sentou, desesperado em busca de ar.

Seu corpo estava extremamente dolorido, fadigado.

— Maung Sigmund, melhor!? — Jagravh perguntou, aproximando-se, deitando-o e usando seu chi para estabilizar o menino, com sucesso.

Ao recuperar-se, Sigmund olhou para Jagravh e depois ao redor. Percebeu estar no monastério. Desestimulado com a visão, levou as mãos a cabeça — que doía intensamente — e tornou a deitar.

— Maung Sigmund, está me ouvindo?

— Sim, U Jagravh, estou bem. A cabeça está explodindo; o corpo, extremamente dolorido; a garganta dói… e estou no monastério. Não poderia estar melhor! — ironizou, fechando os olhos.

— Trarei algo para comer e beber.

— Como está Ranna?

— Já terminou seu exercício e agora descansa. Deves fazer o mesmo.

Sigmund silenciou.

Quando Jagravh saiu, observou o quarto. Era um aposento pequeno, cheirava a incenso e vela, queimando um ao lado do outro no altar.

O silêncio era ensurdecedor e o cheiro do incenso insuportável para Sigmund, que, tomou coragem, levantou, o apagou e voltou a deitar.

***

Jagravh foi até Ketu, reverenciando-o ao chegar.

— Sayadaw Ketu, venho comunicar o despertar de Maung Sigmund.

— Obrigado, Maung Jagravh. Como ele está? O que você viu?

— Ele parece melhor, incomodado por estar aqui. Narrou sentir dor no corpo provavelmente pela tensão, dor na cabeça possivelmente pela pressão energética e disse estar com a garganta ferida obviamente por gritar — reportou Jagravh, aproximando-se e se sentando. — O que vi é difícil descrever. Antes de cair e fechar os olhos, o púrpuro de sua íris foi levemente tomado por um vermelho, vi maldade como nunca vi ou senti.

— Maung Tarendra está bem?

— Sim. Daw Ava Gyi lida com ele, no momento; felizmente, cheguei cedo o suficiente e não houve agravamento em sua situação.

— Leve uma refeição para Maung Sigmund, um chá para diminuir a dor de cabeça e para impedir a inflamação na garganta, por favor. Comunique-o que ele ficará no monastério hoje.

Jagravh assentiu e deixou o aposento. Preparou a refeição e o chá.

***

— Coma. Trouxe chá, comida e água — disse Jagravh, ao retornar ao quarto. — Hoje, por ordem de Sayadaw Ketu, ficará conosco. Se quiser ver Ranna Gyi, peça que alguém o leve, o deixarei só. Tente descansar.

Jagravh pôs as coisas sobre a mesa, que estava próxima à porta, e saiu.

Sigmund, faminto, não demorou para ter sua refeição.

Ao observar os benefícios do chá para a garganta, decidiu bebê-lo e ao fim, voltou à cama, onde a exaustão o levou ao sono.

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