Amélia Moreira
A luz branca do hospital não é mais um clarão cego, mas uma realidade fria. Quando meus sentidos finalmente se estabilizam, sinto um calor em minha mão. Olho para o lado e vejo Inácio. Ele está ali, com os olhos vermelhos e a aparência de quem atravessou o inferno a pé. No momento em que percebo o toque dele, meu corpo reage antes da minha mente.
Puxo minha mão de volta como se tivesse tocado em brasa.
— Mel! — O nome sai da boca dele carregado de uma emoção que eu não consigo processar.
Ele tenta tocar meu rosto, um gesto simples, mas agora... agora o toque dele queima. Sinto um nó na garganta e um asco profundo que não é dele, mas de mim mesma. Minha respiração acelera, tornando-se curta e ruidosa. O quarto parece estar diminuindo.
— Mel, Mel... você me ouve? Por favor, tente respirar devagar... — Inácio se inclina sobre mim, tentando me amparar, mas cada centímetro que ele se aproxima faz meu estômago revirar.
As imagens do galpão são como flashes na minha mente. As