Inácio Hall
Amélia não parava de sangrar. O sangue dela manchava minhas mãos e minhas roupas, um lembrete quente e viscoso de que a vida estava escapando por entre meus dedos. Eu só conseguia pensar no meu filho. O corpo dela, antes vibrante e cheio de vida, agora estava pálido, marcado por hematomas roxos que gritavam a verdade que eu me recusava a aceitar.
Eu sabia o que tinha acontecido. Cada marca no pescoço dela, cada sinal de violência, era um prego no meu caixão. Eu falhei. Prometi protegê-la na nossa última reconciliação e, em vez disso, a deixei vulnerável para aquele porco.
— Mais rápido, Xz! Está parecendo uma tartaruga! — rugi, sentindo meu coração martelar contra as costelas. — Dirige essa porra direito!
— Estou fazendo tudo o que posso, caralho! — Xz rebateu, esmurrando o volante enquanto costurava o trânsito. — Estamos no limite, Inácio!
Eu queria assumir a direção, queria voar, mas não podia soltá-la. Eu precisava que ela sentisse, nem que fosse no subconsciente, que e