####CAPÍTULO 02

KEVIN

Eles desceram do elevador e chegaram ao andar onde estava o apartamento dela.

— Era um espaço acolhedor, situado em um prédio de classe média alta — um dos imóveis de Kevin.

Abigail havia selecionado pessoalmente cada detalhe da decoração, refletindo seu gosto apurado e sua personalidade.

—O apartamento contava com três suítes, um quarto de empregada, uma cozinha funcional com uma ampla ilha central, uma sala espaçosa e confortável, além de uma varanda onde ela já havia começado a cultivar algumas plantas, como ervas aromáticas e flores que alegravam o ambiente.

Ao digitar no painel digital, a porta se abriu, e eles entraram, encontrando um silêncio pesado que invadiu o espaço.

— A mesa se apresentava exatamente como Abigail a havia deixado: pratos usados, taças de vinho, restos de comida, um signo claro de uma confraternização que não era mais do que um eco distante — os dois não estavam mais ali.

Abigail caminhou lentamente pela sala e avistou um papel dobrado sobre a mesa. Ao pegá-lo, reconheceu imediatamente a letra da irmã.

"Foi muito bom inaugurar o seu apartamento antes de você, irmãzinha."

—Um nó se formou em seu estômago enquanto apertava o bilhete entre os dedos, as palavras ressoando em seus pensamentos.

Kevin leu por cima do ombro dela, e um pequeno suspiro escapou de seus lábios.

—“A sua irmã parece não ter caráter, não é?” Ele a fitou com preocupação, e Abigail, reflexiva, olhou para ele.

“Eu sempre soube que ela era mimada demais pela minha mãe… mas nunca pensei que a minha irmã pudesse ser desonesta.”

— Com a mão passando pelo rosto, ela continuou: “Ela seria uma das minhas damas de honra. Você acredita nisso?”

Kevin levantou uma sobrancelha, surpreso. “Sério?”

“Minha madrinha é a minha melhor amiga, Madison… e minha irmã seria minha dama de honra.” Kevin balançou a cabeça, a expressão séria. “Acho que é hora de revisar algumas coisas na sua vida.”

Abigail respirou fundo, determinada. “Vou mudar as credenciais agora.”

—Ela se aproximou do painel de controle do sistema com agilidade.

“Vou cancelar as digitais da minha irmã e da minha mãe.” Digitou rapidamente, um gesto que simbolizava cortar laços.

—“E vou trocar essa cama também — ela vai para o quarto de hóspedes. Vou comprar outra para essa suíte.”

Kevin observava atentamente, suas sobrancelhas arqueadas em preocupação. “Tem certeza disso?”

Ela assentiu com firmeza, como se estivesse fechando um capítulo de sua vida.

—“Sim.” Olhando ao redor da sala, ela acrescentou: “Não dá para continuar morando no mesmo lugar onde uma pessoa que me traiu ficou.”

—Respirou fundo, cheia de convicção. “Amanhã mesmo eu me mudo para cá.”

Kevin soltou uma pequena risada, tentando aliviar a tensão.

—“Então seja bem-vinda ao clube do ‘até que a traição nos separe’.”

Ela o encarou, desafiando seu humor. “Eu, pelo menos, fui casada e traída depois de me casar,” continuou ele. “Você foi traída antes do casamento.”

—Abigail soltou um pequeno riso, surpresa com a comparação. “Você fala isso rindo?”

Ele deu de ombros, o semblante se suavizando. “Agora sim.” Depois suspirou, a seriedade retornando.

“Mas antes, eu fiquei com muita raiva.” Passou a mão pelos cabelos, visivelmente angustiado.

—“Eu também chorei… como meu filho disse.” Sorriu levemente. “Mas não chorei por causa dela.”

Abigail o observava, compreendendo a complexidade da dor emocional.

— “Chorei de raiva, pelas coisas que ela fez ao longo dos anos… e por descobrir que ela me traiu com uma pessoa que eu considerava meu melhor amigo.”

Seu olhar se desviou, a lembrança que feria.

“Você foi traído pela sua irmã… eu fui traída pelo meu melhor amigo.”

Ela suspirou, refletindo sobre as complicações da situação.

— Após alguns segundos de silêncio, Abigail se recompôs e disse: “Obrigada, Kevin.”

Ele a olhou, interessado. “Eu já estou calma,” respondeu ele, enquanto pegava a bolsa. “Vou para casa.” Abigail se dirigiu à porta, ainda agitada, e disse: “Obrigada mesmo.”

Kevin apenas assentiu, com um olhar de compreensão. “Boa sorte,” ele desejou, antes que ela saísse.

Quando Abigail chegou em casa, encontrou um cenário completamente diferente do que imaginava. Sua irmã estava no sofá da sala, chorando. Priscila levantou a cabeça assim que a avistou.

“Abigail!” chamou ela, mas antes que pudesse dizer mais algo, Megan surgiu furiosa em sua direção e deu um tapa no rosto da filha. “Como você pôde fazer isso com a sua irmã?!”

Abigail levou a mão ao rosto, surpresa. “O quê?” exclama, sem entender a situação.

“Você a humilhou!” Megan apontou para Priscila, que estava claramente abalada. “Ela disse que você a agrediu!

Olha como ela está!”

Abigail olhou e viu as marcas vermelhas no rosto da irmã.

—“Você a pegou e o Jason juntos e não precisava ter feito isso!” continuou Megan, indignada.

—“Olha o rosto lindo dela todo machucado!”

Abigail respirou fundo. “Mamãe… em primeiro lugar, eu não agredi ninguém.” Um silêncio pairou no ar.

—“Eu simplesmente vi os dois na minha cama.

No meu apartamento. No apartamento que eu comprei e onde eu ia morar com aquele traidor.”

— Ela apontou para a irmã, seu tom repleto de indignação. “Eles estavam transando.”

Priscila fez uma expressão ofendida. “Eu apenas pedi que eles saíssem do meu apartamento.” Abigail tirou o bilhete da bolsa, um papel que pesava em suas mãos como o próprio coração.

—“E quando eu voltei lá agora, eles não estavam mais.” Mostrou o papel, destacando sua importância.

“E ela deixou isso para mim.”

Megan olhou o bilhete, mas não respondeu. “E a senhora ainda a defende?”

A mãe cruzou os braços, o olhar desafiador. “Você tem sorte de Jason ter querido casar com você.”

Abigail piscou lentamente, a incredulidade em seu olhar. “O quê?”

“Porque a intenção dele sempre foi casar com a sua irmã.”

Abigail ficou em silêncio, absorvendo a informação como se fosse um golpe. “Mas seu pai disse que ele tinha que casar com você.”

Abigail olhou para ela, chocada. “Então a senhora sabia do caso deles?” O silêncio que se seguiu foi pesado.

“A senhora encobriu tudo isso?” Ela apertou os olhos, buscando uma resposta. “O papai também sabia?”

“Claro que não,” Megan deu de ombros, como se a situação não fosse tão grave assim.

“A única coisa que ele queria era que Jason casasse com você.”

“Porque Jason é um bom gerente,” continuou ela. “E você logo assumiria as empresas. Juntos, vocês fariam a empresa crescer.”

Abigail a fitou, tentando entender.

“Não havia nada de preocupante no relacionamento dele com sua irmã,” completou Megan. “Depois que vocês se casassem, eles iriam parar com isso.”

Abigail soltou uma pequena risada. “É bom saber disso.” Nesse momento, a porta se abriu e Dominic Hill entrou na sala. “O que está acontecendo aqui?” Ele virou-se para as duas filhas. “Abigail, você agrediu a sua irmã?”

Ela respirou fundo. “Não.” Olhou diretamente para ele. “Não sei como surgiram essas marcas nela… mas não fui eu.”

Sua voz se tornou firme. “Mas pai… é muito bom saber com quem realmente posso contar.”

O pai franziu a testa. “Eu pensei que vocês ficariam do meu lado.”

Apontou para a irmã. “Mas vocês estão do lado dela.”

Abigail respirou fundo, decidida. “Estou saindo desta casa agora.”

Dominic ergueu a voz. “Não é para tanto!”

“É sim.” Abigail lançou-lhe um olhar determinado. “Posso arranjar emprego em qualquer lugar.” Virou-se para a escada.

—“Não preciso continuar morando em um lugar onde as pessoas que eu deveria confiar me apunhalam pelas costas.”

Ela subiu para o quarto e arrumou todas as suas coisas.

Chamou o mordomo e pediu que levasse as malas até o carro.

—Quando voltou à sala, falou com firmeza: “O casamento será cancelado amanhã.” Olhou para o pai.

“E amanhã eu também vou ao RH da empresa entregar a minha carta de demissão.”

Dominic permaneceu em silêncio.

—“O senhor pode colocar quem quiser no meu lugar”, disse Abigail, pegando as chaves do carro com determinação.

“Amanhã mesmo eu procuro outro emprego.” Sem esperar uma resposta, ela saiu de casa, decidida a buscar seu futuro.

—Naquela mesma noite, voltou para o único lugar que realmente era dela: o apartamento que havia comprado, um espaço que simbolizava sua independência e força.

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