Mundo de ficçãoIniciar sessãoABIGAIL
A babá entrou na sala trazendo um copo de água. Kevin fez um gesto suave com a cabeça. — Obrigado, Nancy. Ela colocou o copo em minhas mãos. — Aqui está, querida. — Obrigada — respondi, ainda com a voz fraca. Kevin voltou-se para o filho. — Harry, vá jantar com a tia Nancy enquanto eu converso com a senhorita Abigail. O menino me olhou mais uma vez, preocupado. — Você não vai chorar mais, né? Forcei um pequeno sorriso. — Não, prometo. Ele assentiu e segurou a mão da babá. — Vamos, Harry — disse Nancy com carinho. Os dois desapareceram pelo corredor. Quando ficamos sozinhos, Kevin se acomodou na poltrona diante de mim. — Agora me conte — disse calmamente. — O que realmente aconteceu? Respirei fundo, apertando o copo entre as mãos como se ele fosse um cofre guardando minhas emoções. — Esse apartamento… eu comprei quando fui pedida em noivado. Kevin permaneceu em silêncio, atento, como um amigo que aguarda um segredo. — Faz cinco meses. Vi uma boa oportunidade e resolvi investir. Usei praticamente todas as minhas economias. —Sempre sonhei em ter um lugar só, como se fosse o meu próprio castelo… mas nunca imaginei que seria palco de algo assim. Kevin inclinou a cabeça, como um adulto ouvindo um conto de criança. — Mas o seu noivo morava aqui? — Não — balancei a cabeça, negando como quem diz "não" a fantasia. — Apenas três pessoas tem acesso: eu, minha irmã e minha mãe. Elas me ajudavam na decoração, então cadastrei as digitais delas, como se estivéssemos criando uma senha secreta. Parei por um instante, permitindo que as palavras se formassem. — Por isso estranhei quando entrei e ouvi música, uma melodia que não pertencia ao nosso pequeno mundo. Kevin não interrompia. — A mesa estava posta, pratos usados… alguém tinha jantado ali. Então ouvi um som vindo da suíte principal. Minha voz falhou. — Não era para haver ninguém, apertei o copo com força. — Pensei que fosse minha mãe ou minha irmã. Mas quando abri a porta… Fechei os olhos por um Kevin não interrompe. — A mesa estava posta, com pratos usados… alguém tinha jantado ali, então, um som vindo da suíte principal chamou minha atenção. — Minha voz falhou ao pensar: — Não era para haver ninguém. Apertei o copo com força, como se isso pudesse me proteger da verdade. — Pensei que fosse minha mãe ou minha irmã. Mas quando abri a porta… Fechei os olhos por um segundo, já temendo o que veria. — Vi meu noivo. E a mulher debaixo dele… era minha irmã. Olhei para Kevin, chocada. — E ela ainda debochou de mim. Ele suspirou lentamente. — Eu mandei os dois saírem, e sai do meu apartamento, foi quando nos encontramos. —Disse que voltaria mais tarde e queria o apartamento vazio. Kevin me observava com atenção, como um farol em meio à tempestade. — Você está mais calma agora? — Um pouco. — Soltei um riso nervoso, como se fosse um balão prestes a estourar. — Conversar com alguém que não me conhece ajuda. Fiquei em silêncio por alguns segundos, buscando entender a situação. — Mas você não imagina o que ele me disse. Kevin ergueu as sobrancelhas, curioso. — O quê? — Que só ia casar comigo porque meu pai lhe deu dinheiro. Kevin franziu a testa, surpreso. — Dinheiro? — Uma promoção na empresa. — Respirei fundo, tentando manter a calma. — Nós temos uma holding familiar, .eu pai é o dono, e sempre trabalhei na administração. Coloquei o copo na mesa, como se isso pudesse me ancorar na realidade. — Minha irmã nunca se interessou muito por estudar. Fez secretariado, já eu, ao contrário, sempre mergulhei nos números, no planejamento, na expansão. —Fiz mestrado, doutorado… dediquei minha vida a ajudar a empresa a crescer. Kevin me olhava com compreensão, como se entendesse o peso que eu carregava. — Por isso nunca tive tempo para relacionamentos. Alguns namorados, mas nada sério. Todos diziam a mesma coisa: que eu só pensava em trabalho, suspirei. — Hoje, meu noivo teve a audácia de me dizer, na cara, que amava minha irmã e que comigo era apenas conveniência. —O silêncio na sala se transformou em um peso insuportável. Respirei fundo. — Você pode me fazer um favor? — Que favor? — perguntou Kevin. — Ir comigo até o apartamento. Quero conferir se eles já saíram e remover as digitais da minha irmã e da minha mãe, quem sabe ela até cadastrou as digitais do noivo, Kevin assentiu lentamente. — Vou precisar trocar tudo. — Esse apartamento era uma surpresa para ele. Ele sabia que eu tinha comprado, mas nunca tinha vindo aqui. Agora… — balancei a cabeça — agora usou o lugar para isso. Fiquei em silêncio. — Só quero verificar se já foram embora. Depois, volto para casa. Kevin se levantou. — Claro, pegou as chaves, vamos, caminhamos até o elevador. —Quando as portas se abriram no andar do meu apartamento, meu coração disparou, Kevin fez um gesto com a mão. — Vá em frente. Se preferir, eu fico aqui. Olhei para ele, respirei fundo e caminhei até a porta.






