####CAPÍTULO 04

Enquanto Abigail dirigia de volta para o apartamento, tentando manter a calma após os eventos que ocorreram, a casa dos pais dela continuava em um estado de completo tumulto, como se as emoções desencadeadas tivessem tomado forma e saído pela porta.

—O silêncio que se seguiu ao fechamento da porta foi breve, quase ilusório, um espaço temporário antes de outra tempestade se aproximar.

No centro da sala, com o olhar fixo e a expressão severa, Dominic Hill encarava sua filha mais nova, um pai em busca de respostas e uma filha pressionada sob o peso do seu próprio erro.

— Priscila… venha aqui, ordenou ele com um tom de comando que não deixava margem para contestação.

— A jovem levantou-se lentamente do sofá, seus movimentos parecendo hesitantes, com o rosto ainda marcado pelas manchas vermelhas que ela mesma havia aplicado em um momento de rebeldia e desespero, como se quisesse articular uma dor que não conseguia expressar verbalmente.

— Você estava tendo um caso com Jason?

A pergunta cortou o ar entre eles, pesada e elétrica, fazendo Priscila desviar o olhar, envergonhada, como se as palavras tivessem a capacidade de queimar.

— Não foi culpa nossa, papai… nós simplesmente nos apaixonamos, defendeu ela, buscando na sua voz uma fraqueza que, talvez, pudesse levá-lo a compreender a profundidade de suas emoções.

Dominic respirou fundo, tentando controlar a irritação crescente dentro dele, tentando lembrar-se da filha que amava, mas a traição que agora se desenrolava diante dele era difícil de ignorar.

— Você sabia que sua irmã estava prestes a se casar com ele, não sabia?

A frase saiu como um raio, ecoando na sala, e a vergonha de Priscila tornou-se palpável.

— Ela permaneceu em silêncio, incapaz de articular qualquer resistência, e ele avançou um passo em direção a ela, não apenas como um pai, mas como um homem ferido.

— Quem foi que te deu esse tapa? Quem fez isso no seu rosto?

—O silêncio de Priscila foi a única resposta, um vazio que preenchia o espaço entre eles com desconforto.

Dominic estreitou os olhos, determinado a encontrar a verdade em meio à confusão.

— Eu acredito que não tenha sido sua irmã, se a expressão dela tivesse qualquer valor, então Abigail seria a última pessoa a fazer algo assim.

Surpresa, Priscila ergueu o olhar, um misto de incredulidade e dor refutando a acusação.

— Abigail não faria isso, protestou, lutando contra a imagem que sua família estava começando a pintar.

Para Priscila, era um momento decisivo: defender a irmã ou confrontar a verdade que havia sido forçada a esconder.

— Ele cruzou os braços, seu tom mais severo, quase rasgando a atmosfera pesada que os cercava.

— E mesmo que ela tivesse feito… teria razões para isso, considerando a sua traição.

O desprezo em sua voz ecoou pelo espaço, deixando Megan, que observava tudo com um olhar de espanto, completamente chocada.

— Dominic! — exclamou, como se suas palavras pudessem reverter o desastre que se desenrolava diante dela.

—Em resposta, Dominic não se deixou abalar; sua expressão era uma mistura de frieza e firmeza.

Ele continuou, dirigindo-se diretamente a Priscila, que parecia querer se encolher sob o peso de suas palavras.

— Você ultrapassou todos os limites, e o que fez – esse ato impensável – não pode ser ignorado.

Ao se voltar para Megan, sua voz ressoou firme, cortante como vidro.

— E a culpa é sua, você não pode simplesmente desviar a atenção e jogar a responsabilidade sobre os ombros dela.

Megan endureceu a expressão, sua postura defensiva quase parecendo um escudo contra as acusações.

— Sempre deu tudo que ela queria, como se estivesse tentando compensar alguma falta! — gritou, sentindo-se pressionada a defender a escolha que fizera ao criar Priscila.

Dominic apontou para Priscila, sua expressão tão ameaçadora que era difícil não sentir o calor da tensão entre eles.

— Você criou essa menina sem deixar limites claros. O que esperava?

Que ela nunca fosse desobedecer?

O silêncio se tornou denso, como uma neblina fria engolindo o que restava de entendimento nesse relacionamento deteriorado.

— Priscila sempre desejou ter o que era da Abigail, qualquer coisa que chamasse de sua, um desejo que se transformou numa obsessão disfarçada de amor fraternal.

Ele fez uma pausa, o olhar penetrante fixo em Priscila, como se pudesse vê-la por trás das camadas de desespero e angústia.

— E quando Abigail chorava… você sempre contava a mesma história, imitando sarcasticamente a voz da sua esposa: — “Você é mais velha, ela é mais nova… deixe para sua irmã.”

O eco daquela imitação, uma ferida aberta, parecia reverberar entre eles.

Megan desviou o olhar, culpada, percebendo que aquela comparação doía como uma faca afiada, cortando mais profundamente suas inseguranças como mãe.

— Você sempre cedeu às vontades dela, como se sua felicidade fosse a única coisa que importasse, sem perceber que estava abrindo uma caixa de Pandora.

Dominic respirou fundo, a tensão no ar palpável, como se cada palavra que estava prestes a proferir pudesse alterar o curso de suas vidas para sempre.

— E agora ela destruiu o casamento da própria irmã… e ainda teve a audácia de encenar tudo isso.

—O que poderia ter sido um momento de reconciliação entre as irmãs se transformou numa tragédia familiar.

Priscila franziu a testa, um misto de raiva e confusão dançando em seu olhar, como nuvens escuras reunidas antes de uma tempestade.

— Papai, eu— Dominic levantou a mão, a voz firme como uma rocha, cheia de uma autoridade que não podia ser contestada.

— Não. Haverá casamento, sim.

As palavras dele eram como ferro fundido, moldando um futuro já selado.

Priscila e Megan se olharam, o medo e a incerteza crescendo, um labirinto de emoções que ameaçava engolir o que restava de suas esperanças.

— Mas esse casamento será o seu com Jason.

—As palavras finais de Dominic abriram uma nova ferida, um abismo entre os sonhos e a realidade que nunca havia parecido tão intransponível.

Priscila piscou, aturdida, um turbilhão de emoções, de incredulidade a uma raiva latente, a fervilhar dentro dela.

— O quê?

— Sua voz saiu trêmula, mal conseguindo esconder a confusão em seu olhar.

Dominic, com a expressão impassível, já havia tomado uma decisão, e isso o tornava ainda mais imponente.

— Vamos apenas trocar o nome da noiva, declarou Dominic, com um olhar frio e decidido que remetia à sua determinação inabalável.

— O casamento continua agendado.

— Ele fez uma pausa dramática, como se pesasse suas palavras antes de proferi-las.

— Daqui a trinta dias, você se casará com ele.

— Para enfatizar sua determinação, ele acrescentou, com o tom de quem não tolera objeções: — E continuará sendo a secretária dele na empresa, como se sua posição estivesse inextricavelmente ligada ao compromisso que estava sendo forçado sobre ela.

Megan franziu a testa, cética, incapaz de aceitar que aquilo era uma realidade.

— Dominic, isso é absurdo. Um casamento assim, com um futuro tão sombrio, era uma ofensa a toda a sua liberdade.

A determinação de Dominic não era apenas uma imposição, mas uma promessa de controle.

— Não, ele a interrompeu com firmeza, sua voz se erguendo, cheia de autoridade.

— Se Jason achou que ia se casar com Abigail para subir na carreira, ele estava enganado.

O olhar de Dominic se endureceu, prometendo vigilância constante e uma supervisão que pesaria sobre Jason como uma sombra, envolvendo todos em um jogo intricando interesse pessoal e ambição.

— Priscila, por sua vez, em um momento de pausa, manteve-se em silêncio por alguns segundos, refletindo sobre a magnitude daquela decisão.

Com um semblante que abandonava todas as suas incertezas, deu de ombros, uma expressão de indiferença começando a surgir em seu rosto. — Para mim… tudo bem, disse, sua confiança transparece em cada palavra.

Ambos o encararam, surpresos, como se ela tivesse feito uma declaração audaciosa que desafiava o próprio curso da situação.

— Eu gosto dele mesmo, afirmou, cruzando os braços com um ar de determinação.

— Agora você vai ter que ver se ele vai querer se casar comigo, provocou ela, seu sorriso malicioso escondendo uma vulnerabilidade que apenas ela conhecia.

Dominic estreitou os olhos, desconfiado, observando cada nuance na expressão de Priscila, tentando discernir se ali existia verdade ou apenas bravata, enquanto Priscila soltava um sorriso leve que poderia despertar um misto de esperança e temor. — Estamos apaixonados… O tom da sua voz era quase desafiador, como se quisesse anular qualquer argumento contra seus sentimentos.

Ela inclinou a cabeça, reconhecendo, de forma ressaltada, a complexidade da situação.

— Mas o interesse dele sempre foi a Abigail, admitiu, sua voz se tingindo de melancolia.

— E eu estava disposta a ser amante dele… até ele alcançar suas metas, como se estivesse colocando suas próprias emoções em espera por um futuro incerto, revelando as facetas desconfortáveis do amor que floresce em meio a dilemas éticos e laços inquebráveis.

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