Retorno ao Abismo
A madrugada avançava e o som grave da música eletrônica ecoava dentro da boate, vibrando no chão como se o concreto pulsasse.
Artur Montenegro girava o copo de uísque entre os dedos, olhando para a pista lotada de corpos que se chocavam em movimentos desordenados. Os olhos dele, turvos e vazios, buscavam nas luzes coloridas e nas mulheres ao redor alguma distração que preenchesse o buraco que crescia dentro de si.
— A conta tá paga, Montenegro. Disse o gerente, com um sorr