A Voz que Acolhe
A manhã chegou sem sol. O céu ainda carregava o cinza da tempestade da noite anterior, e a fazenda parecia respirar com dificuldade, como se o mundo estivesse tentando se reorganizar depois do caos.
Gabriel acordou cedo, ainda assustado. Desde a noite passada, quando os trovões explodiram como canhões no céu e o pai gritava na sala, ele não pronunciava uma palavra. Não quis tomar café, recusou o leite quente, empurrou o pão para longe.
Lara observava cada movimento do filho