Ela ficou alguns minutos em silêncio, mas seus olhos marejados diziam o quanto doía tocar naquele assunto.
— Não precisa falar nada se não quiser, dona Catarina.
— Eu preciso falar… Não quero que você tenha uma imagem errada do meu irmão. Ele é um homem incrível e, se você tiver a chance de conhecê-lo, vai se convencer disso.
No impulso, revirei os olhos.
— Estou falando sério. Você age assim porque não o conhece — insistiu.
— Me desculpa, dona Catarina, foi força do hábito — falei, e ela riu.
— Meu irmão e meu pai eram inseparáveis e, como todo pai dono de uma grande herança, ele sonhou que, na velhice, o Álvaro tomaria conta de tudo… Tanto que já havia matriculado meu irmão na faculdade de engenharia agronômica.
Ela baixou a cabeça, e vi uma lágrima pingar em seu colo. Em seguida, ergueu novamente o rosto, secando as lágrimas e aspirando fundo antes de continuar:
— Só que esse não era o sonho do Álvaro. Ele queria sair daqui, conhecer o mundo, as grandes capitais. Eu via como