Senti meu celular vibrar no bolso, abafado pela batida suja e pulsante do funk que sacudia o chão. Olhei a tela e soube de imediato: minha mãe. O nome dela ali, piscando, era como um aviso. A merda já tinha estourado.
A raiva dela atravessava o telefone, mesmo antes de atender. Me afastei da multidão, atravessando corpos suados e fumaça densa, até encontrar um canto mais escuro, menos poluído de gritos e risadas.
Atendi com a garganta apertada.
— Isabela, pelo amor de Deus, o que você fez? —