Mundo de ficçãoIniciar sessãoRobin
Dois dias depois, Jean apareceu na minha porta balançando algumas notas.
Tínhamos nos visto mais duas vezes depois do corte de cabelo.
―Olha só! Rendeu uma boa grana por ser natural e preto.
― Será que dá para comprar uma roupa? ― questiono. Havia pensado sobre o que ela falou sobre meu estilo depois que se foi.
― Claro. Se for no lugar certo compra várias. E eu conheço o lugar certo.
Ela me levou para dar uma volta pela cidade e paramos em uma loja no centro.
― Aqui é um brecho. As coisas são usadas, mas são baratas e de ótima qualidade. A dona é minha amiga.
― Oi, Jean. Você sumiu. ― Uma garota de cabelo pintado de verde nos recebe.
― Muita coisa para estudar, mas estou sempre por ai. Algum show da banda para os próximos dias? Estou com saudade do seu solo de bateria e da voz do seu homem.
― Pois é. Temos só no mês que vem. Agora que Nick virou homem de negócios quase não tem tempo para essas “bobagens” como diz seu pai.
― Já reserva meu lugar.
― E você, morena, quem é? A minha amiga louca não apresenta as coleguinhas.
― Descuido meu. Queremos algumas roupas para minha nova amiga Robin. ― Acho que ela notou algo no brilho do olhar da amiga, pois completou. ― Nada de estravagante, por enquanto. Robin é uma freirinha.
Damos uma volta pela pequena loja, vendo roupas e preços.
Por fim, consegui comprar um vestido, sapatos, duas saias e duas blusas. Realmente muito barato. Juntando com a roupa no meu corpo e as poucas coisas na mochila, dá para sobreviver até conseguir um emprego.
Nos despedimos da amiga de Jean, que descobri se chamar Penelope, e saímos da loja.
― Não sei se estou satisfeita, você comprou tudo de cores escuras e grande demais. Deveria mostrar um pouco de pele e esse corpão. ― Jean resmunga enquanto andamos.
Dou de ombros, sem saber o que responder. Não podia dizer que era meu gosto porque sempre obedeci aos meus pais e depois a aquele homem, só usava o que deixavam. Isso, aquele homem, decidi que vou chamá-lo assim, quero esquecer seu nome.
― Quando eu conseguir um emprego podemos comprar novamente e você pode escolher ― ao ver seu sorriso completei ―, mas sem exageros.
― Combinado. Promessa é dívida ― diz empolgada. ― Ainda temos dinheiro para um sorvete. O que acha?
― Sorvete? ― meus olhos brilharam. Sempre quis provar sorvete. ― Sim.
Entramos em uma sorveteria e pedimos. Tudo era novidade. Iria provar sorvete pela primeira vez.
Assim que nos sentamos, com sorvete de chocolate, claro, a minha primeira reação foi encher a colher de sorvete e colocar na boca.
Minha expressão devia estar hilaria porque Jean não parava de rir enquanto eu abanava a boca e fazia caretas. Ainda bem que a colher era pequena, ou teria cuspido tudo.
― Muito gelado! ― comento depois de finalmente melhorar a sensação.
Jean está com os olhos cheios de lágrimas de tanto rir.
― Claro. É sorvete. Parece que nunca tomou.
― Não. Nunca ― confesso e ela arregala os olhos.
― Jura? Como alguém nunca tomou sorvete? Você é de outro planeta? De hoje em diante te chamarei de Miss Alienígena.
― Sim. Nunca tomei. ― Dou de ombros.
― Coloca pouco na boca e sinta derreter. Você parece mesmo que veio de outro planeta.
― Algo assim.
A segunda vez que coloquei na boca foi com mais cuidado e fechei os olhos com a sensação gostosa. Deve mesmo ser pecado comer essas coisas, porque é bom demais. Agora sim posso me deliciar com essa minha mais nova outra paixão.
― Que tipo de emprego você procura? ― Jean pergunta enquanto curtimos nossos sorvetes. Havia comentado com ela que quero trabalhar o mais rápido possível.
― Qualquer coisa que dê para conciliar com as aulas. Sei limpar, cozinhar, e aprendo qualquer coisa se for para ter um emprego.
― A lanchonete perto do campus está precisando de pessoal. Acho que para servir as mesas. Se quiser, te apresento. Só tem que ter paciência porque muitos idiotas da universidade frequentam.
― É perfeito! ― me empolgo.
― Ela funciona até meia noite. Você teria que entrar às 17hs, se não me engano. E só funciona de segunda a sexta porque fica muito vazio por aqui nos finais de semana.
― Podemos ir lá agora?
― Claro, Miss Alienígena empolgada. Vamos terminar o sorvete e te levo lá.
Mais uma coisa parece que vai dar certo na minha vida.
Será que estou mesmo acordada?







