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Grávida do herdeiro - CAPÍTULO 5 - Pequenos detalhes doces da liberdade

Robin

Acabou que dormi o resto da tarde e a noite toda.

Estava precisando.

De manhã, a primeira coisa que fiz foi guardar minhas poucas coisas no armário e trancar com uma senha. Depois tratei de procurar onde comer. Meu estômago já não para de reclamar depois de tantas horas sem comida. Prendo meu cabelo em um coque e saio.

Achei uma cantina dentro do campus. E não resisti quando vi aquele monte de comida que nunca provei.

― Moça, por favor, eu quero um pedaço de bolo de chocolate e um chocolate quente ― pedi ansiosa. Era como se eu esperasse Richard aparecer a qualquer momento e me impedir de comer.

Uma vez eu provei chocolate de uma amiga da escola, e foi a melhor sensação do mundo, um prazer sem explicação.

A mulher me serviu. Olhava para meu olho roxo, mas não disse nada.

Me sentei e me entreguei ao sabor da minha mais nova comida favorita.

 Nem sei dizer o quanto é bom me sentir livre. Ainda me pego olhando para os lados como se Richard ou meu pai ou mesmo meu irmão mais velho fosse aparecer a qualquer momento. Mas ainda assim a sensação de paz e liberdade é algo tão incrível que me deixa leve.

Assim que termino de comer, volto para o alojamento e vou para a sala de televisão. Só tem uma garota loira com lindos olhos cor de mel. Ela me olha e sorri.

Me sento e procuro formas de iniciar uma conversa. Quero fazer amigas. É quando algo me surgi.

― Com licença. ― A chamo. ― Desculpe atrapalhar seu filme ― digo sem jeito.

― Sim. Pode falar, esse filme é péssimo. Só estou com preguiça de levantar mesmo.

― Sabe onde posso cortar meu cabelo aqui por perto? ― pergunto. Realmente quero cortar.

― Eu não tenho curso, mas corto das minhas amigas e elas adoram, corto até do meu pai às vezes.

― E quanto você cobra para cortar o meu?

― Nada, gata. Só que tem que ser no seu quarto, minha companheira não gosta. Reclama de tudo.

― Tudo bem. Ainda estou sozinha. Minha companheira ainda não voltou das férias. Meu nome é Robin. ― Acho que a porta se abriu para uma amizade.

― Então, vamos lá. ― Ela me puxa pela mão. ― A propósito, meu nome é Jean.

Indico o quarto, quando estávamos quase chegando.

Ela entrou e não fez muitas perguntas sobre o lugar. Os outros quartos devem ser iguais.

Soltei meu coque e ela me olhou de olhos arregalados.

― Pelo amor de God. Você nunca cortou as madeixas?

Balanço meus ombros.

― Não. Só tirei as pontas em alguns momentos.

Meus cabelos chegavam na altura dos joelhos e tudo que mais quero é cortá-lo. Eu só o mantinha assim porque Richard exigia. Segundo ele, meu cabelo era sagrado. Para ele tudo era sagrado, menos a minha vida e meus sentimentos, com os quais ele fazia o que quisesse.

― Que dó de cortar! ― Jean faz uma careta. Covinhas bonitas nasceram dos dois lados do seu rosto. Percebi que era assim quando sorria. Muito fofo! Ela parece uma boneca com sua pele branca e seus cabelos loiros com cachos.

― Carrego isso há anos, por favor, pode cortar o mais curto que achar melhor.

― Se você diz.

Ela cortou pouco acima dos ombros. Enquanto cortava, conversávamos sobre nós. Contei que era o interior e dei alguns detalhes vagos da minha vida. Sou uma pessoa curiosa, e sei o que alguém como eu é para a sociedade. Eles nos chamam de noiva criança. Pesquisei isso quando estava na escola. Mas não quero que isso seja a marca de quem sou. É a minha chance de ter uma vida como sempre desejei.

― Uau! Realmente é outra pessoa. Muito mais gata. ― Fica na minha frente analisando. ― Vai lá no espelho.

Obedeço e gosto da imagem que reflete.

― Ficou muito bonito.

― Muito bonito nada. Um arraso. Só essa roupa que não combina. E nem esse olho roxo.

Já tinha contado a ela, durante o corte, a mentira sobre o ataque.

Sobre a roupa, ainda não estou pronta para me vestir como as pessoas desse lugar. Eles usam tão pouco tecido, quase chegam a parecer aquela moça que pedi informação. Não sentem frio?

― Agradeço por isso. Depois vejo a questão da roupa.

― Vai vender? ― perguntou de repente. Fiquei confusa.

― O que?

― O cabelo, mulher! Se for vender, posso te indicar alguém. Já que é nova aqui, adianto que conheço quase tudo e todos.

― É possível vender cabelo? ― Disso eu não sabia. Minha nossa, tem muita coisa que preciso aprender.

Ela ri.

― Claro. Deixa comigo. Vou levar suas madeixas e no máximo em dois dias trago a grana.

Conversamos um pouco mais e ela se foi, dizendo que precisava de um banho e depois comer. Acabou que combinamos de comer juntas.

Sim, Jean certamente será minha primeira amiga.

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