Mundo de ficçãoIniciar sessãoRobin
Passei a melhor noite da minha vida em um hotel. É a minha primeira vez em um. Escolhi o mais barato que encontrei.
Me falaram no mercado onde comprei mais água e comida que um tal de hostel é mais barato, só que você precisa dividir o quarto com outras pessoas e existem lugares onde roubam suas coisas, então preferi pagar um pouco mais caro que correr o risco de perder tudo.
Fiquei no quarto até terça à tarde, que era quando estava marcado para eu visitar o campus e seguir com os tramites para ocupar o quarto no alojamento. Infelizmente não tinha como esconder o olho roxo. Sei que maquiagem poderia esconder, mas nunca usei maquiagem na vida. A única vez em que uma colega de escola me emprestou um batom, Richard fez um discurso sobre como apenas mulheres vagabundas usavam essas coisas. Eu sabia que não era verdade, minhas colegas de escola não eram vagabundas, mas aprendi a nunca discutir com ele, só pedi desculpa e disse que nunca usaria.
Eu devia ter usado pelo menos na escola, e aprendido a cobrir essa monstruosidade na minha face, assim essas pessoas me olhariam nos olhos por outro motivo.
― O que houve com seu rosto? ― Uma mulher perguntou o que os três na sala queriam saber.
Já havia me preparado para isso, então respondi:
― Fui atacada. Tentaram roubar minha bolsa e fui tola ao reagir.
― Coitada! Essa cidade está cada dia mais perigosa. ― Todos expressavam pena.
― Eu não imaginei que fosse tanto. Eu vim de uma cidade pequena. Foi a coisa mais assustadora que já me aconteceu. ― Não era bem verdade.
― Imagino. Nós que moramos aqui não nos acostumamos. Mas fique tranquila que dentro do campus tudo é muito seguro. Você terá seu espaço no quarto. Vai dividir com outra menina, mas tem lugar para trancar suas coisas, além de que temos uma política muito rígida.
― Agradeço. Fiquei muito feliz em ser aceita e mais ainda em ter onde ficar. Vou estudar dia e noite para compensar o que estão fazendo por mim. Não vão se arrepender de me dar essa chance.
― Assim esperamos. Trouxe muita coisa?
― Só o que estão vendo. ― Aponto a mochila no meu colo.
― Se quiser, pode ocupar seu quarto hoje mesmo. Os alunos estão de férias e as aulas só reiniciam semana que vem, mas já pode se instalar.
― Seria maravilhoso.
― Eu te acompanho até lá. ― Uma senhora se ofereceu.
Ela foi conversando o caminho todo, mas confesso que não prestei total atenção. Estava distraída olhando para todos os lados. Muita novidade.
O campus é enorme e cheio de árvores e jardins, além de ter construções tão lindas que parecem saídas de algum lugar mágico.
Entramos no dormitório feminino. É todo pintado de um rosa bem fosco. Dentro dele tinha uma sala de estudo, uma de televisão, e outros lugares comuns para os alunos.
― O dormitório dos rapazes fica do outro lado do campus. Uma medida para impedir certas implicações. Não pode ter visita do sexo masculino, nem dos alunos ― avisou.
― Sim, senhora.
― Roupa de cama é de responsabilidade do aluno, mas deixamos sempre um lençol e um cobertor nos armários.
Ela foi explicando tudo, depois me disse que enviaria uma cópia das regras no meu e-mail.
Depois de um tempo se foi e me deixou.
Aproveitei para tomar um banho e descansar. Meu corpo e minha mente merecem.
Finalmente, lar doce lar.







