Ela hesitou. Respirou devagar, como quem tenta conter uma onda que se forma por dentro, e desviou o olhar para um pequeno quadro pendurado na parede. Era discreto, com moldura de madeira envelhecida, quase apagada pelo tempo.
Dentro, desenhos de rosas vermelhas se entrelaçavam em galhos finos e escuros, como se tentassem florescer apesar dos espinhos. Algumas pétalas pareciam desbotadas, como se o tempo tivesse roubado parte da cor — ou como se carregassem lembranças que ela preferia esquecer.