Sim, estou — respondeu Vitor, sem hesitar. Sua voz era firme, calculada, mas não vingativa. Era a voz de alguém que finalmente compreendia o que precisava ser dito. O timbre grave cortava o silêncio do refeitório como uma lâmina, mas havia uma vulnerabilidade escondida ali, como se cada palavra exigisse esforço para atravessar anos de repressão emocional.
— Quando soube que tinha uma filha… — Ele fez uma pausa proposital, deixando o peso da revelação pairar no ar como uma bomba prestes a explodir. Seus olhos, antes sempre frios e analíticos, agora buscavam algo no rosto de Lorena — talvez arrependimento, talvez raiva.
— Descobri que ser uma pessoa fria, controladora e cruel… não era uma opção.
— Eu quero ser melhor. Por ela. E por me.
A última frase saiu mais alta do que ele pretendia, ecoando pelo refeitório. Algumas pessoas viraram o rosto devagar, curiosas, mas sem compreender o que se passava. Era apenas mais uma conversa entre um chefe milionário e uma funcionária, aos olhos